Interlocutores válidos
Conexões podem se tornar mais fortes, ou, podem permanecer como estão porque já são. Se isso não for bonito, não sei o que é.
Peguei o avião horas depois de ter comprado as passagens com uma felicidade genuína. Eu não precisava de mais nada além dela. Mas eu tive mais. E não é simples e ao mesmo tempo é absurdamente descomplicado. Resta saber o que o tempo vai sentir. Mas como ele não existe, vai se abraçar ao homem Brasília e tomar alguns conhaques.
A minha saudade do futuro está mais presente.
Bergman no Rio
Cheguei em cima da hora e entrei. Sala lotada. Fiquei imaginando aquela primeira sequência colorida. Será que tinha tons de lilás? Talvez um pouco de vermelho… A mostra que começou hoje no CCBB vai até 10 de junho e traz cerca de 50 filmes do diretor sueco. Um Barco Para a Índia é o terceiro filme do cineasta, que o adaptou da peça homônima de Martin Söderhjelm. A história entre pai, filho e uma dançarina de cabaré é carregada de tensão. A pobreza física e emocional da moça me tocou. E uma frase, do pai, depois de descobrir que ficará cego está rondando a minha mente.
- A pior coisa não é ficar cego. […] É nunca ter visto nada.
Amarelo
Eu adoro dançar no meio de desconhecidos, sentir o ritmo no meu corpo. O contágio que isso traz é positivo e agradável. Ontem foi como se eu comemorasse com uma prece cadenciada todos os bons momentos dos últimos meses. Pensei no sol e quase senti o calor. Os amigos que apareceram, uns por uma noite, outros que, provavelmente, permanecerão bem mais que isso. Até o senhor que todo dia cruza meu caminho levando seu velho cachorro para passear quando estou descendo a rua do meu trabalho entrou nessa reza. Sentir que mesmo com dor e com perda e desencontros você, finalmente, depois de muito tempo, fez a coisa certa é de um alívio profundo.




