Chegada.

Pesei minha mala e a mocinha do guichê disse: não vai dar! Lá vou eu pro cantinho abrir tudo e reajeitar. Resultado: um tiozinho da TAP sentado em cima das minhas malas e, depois, quando fui ver a minha bagagem de mão, tinha um pé de tênis…hehe. Bom, agora vai. Vou pro embarque…ops: “Não dá, falta um código de barras” diz o homenzinho. Lá vou eu para o check-in de novo e o tiozinho que sentou nas minhas malas me olha e diz: “Ué, voltou? Há quanto tempo!!!”. Gosto de gente bem humorada. Já no avião um guri novo senta do meu lado, tento puxar assunto, mas ele esta aos prantos lendo uma carta escrita à mão, tento disfarçar e pego a primeira revista que vejo pela frente, claro que só depois de algum tempo percebo que estou lendo de ponta cabeça (você já teve a sensação de estar em um episódio do seriado do Mrs Bean?) Depois ele se acalmou. Quando pedi licença para ir ao banheiro quase abracei ele e disse: Tudo vai ficar bem! Mas ele não me olhava com vergonha, talvez, de ter soluçado ao meu lado. Já em Lisboa, ao passar pela imigração, o português que carimbou meu passaporte fez uma piada sobre Viracopos (Aeroporto de Campinas) totalmente sem graca, mas tudo bem, só queria o carimbo mesmo e não um piadista. Quando o comandante da aeronave que peguei para Amsterdam disse que estávamos sobrevoando a cidade olhei pela janela e um raio forte de sol atravessou o vidro, fechei os olhos e lembrei do poema de Alberto Caieiro “O Guardador de Rebanhos” (Quem está ao sol e fecha os olhos começa a não saber o que é o sol e a pensar muitas cousas cheias de calor. Mas abre os olhos e vê o sol e já não pode pensar em nada, porque a luz do sol vale mais que os pensamentos de todos os filósofos e de todos os poetas). Quando cheguei no aeroporto as malas demoraram e eu pensei: não devia ter posto aquela térmica na mala… vão pensar que é uma bomba…ahhh.
O Renato me esperava num cantinho, não me viu saindo… fiz a volta por trás dele e ele veio rápido. Foi lindo, lindo, lindo. Uma vez dei uma camiseta verde pra ele dizendo que ele tinha que ter alguma coisa verde (coisas que nossas avós falam e a gente por alguma razão não esquece), pois lá estava ele com a camiseta, só que com uma estampa que ele mesmo criou só pra mim. Pegamos um trem e depois levamos as malas pra casa de bicicleta, e foi engraçado e foi lindo e foi incrivelmente leve, como eu pensava que ia ser. Bem vinda!

Ps: Geraldine estava me esperando quando cheguei. Linda, com sua cestinha.