Pompadour mon amour!

Pompadour

Sabe “A Fantástica fabrica de chocolates”? Então, a minha fica na Huidenstraat, 12 e se chama Pompadour. Não sou chocolatra, mas que dá gosto de ver a vitrine e pensar em comprar os docinhos, chocolates, tortas e afins, isso dá. Os preços são os mesmos de uma boa patisserie em Amsterdam (capuccino – 2,75; croissant – 1,70). Fomos bem atendidos e o Renato comeu um merengue gigante. Outra ótima opção para as formigas de plantão é comer os bolinhos fritos e wafles tradicionais daqui. Preste atenção em umas casinhas tipo tendinhas espalhadas pela cidade, pois é lá que você vai encontrar os verdadeiros bolinhos holandeses. Não caia na besteira (como eu já fiz um dia) de comprar o primeiro docinho rosa chamativo que aparecer na sua frente. Eles estão por ai, principalmente nas ruas mais movimentadas, esperando para serem desencalhados. Que filme que os docinhos tomavam vida e se jogavam na boca de um gordinho??? Jesus…rsrs, me veio essa imagem na cabeça agora e não consigo saber de onde é… Ah!!! Era o “Enigma da pirâmide”. Um filme sobre o sherlock Holmes novinho. Alguém lembra disso? Deus do Céu. Sessão da tarde pra comer com os bolinhos. Beijocas.

Van Gogh.

O melhor entre o centro e a minha casa é que no meio do caminho tem o Vondelpark e o bairro dos museus. Acabo sempre cruzando o parque e visitando alguma exposição. Desta vez decidi entrar no Van Gogh Museum. Já tinha feito uma visita rápida anteriormente, mas é sempre bom dar uma passada por lá. O museu fica na Stadhouderskade, 55 e abre diariamente das 10h às 18h. Nas sextas-feiras ele fica aberto até as 22h (não sei se isso vale para o inverno, confira a programação no site no final do post). São mais de 200 pinturas do artista, além de telas de outros pintores como Vittorio Matteo corcos, Gauguin, Toulouse Lautrec. Aliás, adorei uma das obras de Vittorio Corcos. Contemplation mostra uma moça com um livro aberto entre as mãos e uma senhora lendo outro livro atrás dela. O olhar, sempre o olhar. Não só da moça, de todas as pinturas. Vincent Willem Van Gogh teve uma vida relativamente curta, morreu aos 37 anos. Inconstante em relação a trabalho, estudos e amores, buscou na arte sua forma de expressão mais verdadeira. Nos últimos dez anos de sua vida dedicou-se integralmente a pintura, sua primeira grande obra foi The Potato Eaters de 1885. Van Gogh é considerado um dos pioneiros na ligação das tendências impressionistas com as aspirações modernistas. Sua fama viria somente depois de sua morte. Sunflowers (Os Girassóis), umas das suas obras mais conhecidas, foi pintada no sul da França na cidade de Arles, onde foi morar depois de passar um tempo em Paris com seu irmão Theo (seu grande amigo e patrocinador). Lá teve por algum tempo a presença de outro grande artista, Gauguin. Os dois pintores tinham temperamentos opostos e, passado algum tempo, perceberam que não conseguiriam conviver juntos. Nesta época Van Gogh corta sua própria orelha, apresentando sintomas de paranóia. A cidade pede para que ele seja internado vendo nele uma ameaça à sociedade (Geni? Joga pedra…). Dois anos mais tarde, já em Paris, depois de atirar contra si mesmo, suas últimas palavras ao irmão foram: “A tristeza durará para sempre”. Obras como Self-Portrait as an Artist (1888),  Sunflowers (1889) Wheatfield with crows (1890) podem ser vistas no museu inaugurado em 1973.

http://www.vangoghmuseum.nl/vgm/index.jsp?lang=nl

Stedelijk Museum – até agora, o mais criativo.

Fechado pra reforma. Se tem uma coisa que os holandeses gostam é de uma reforma. Amsterdam parece um grande canteiro de obras. Eternas restaurações. Por um lado penso que isso é incrível e que eles realmente estão preocupados em deixar a cidade organizada, por outro lado fica aquela sensação de que nunca termina, sabe? Bom, eu e Geraldine conseguimos visitar a exposição temporária do museu Stedelijk  que reabriu as portas no final de agosto por um curto período que vai até começo de janeiro de 2011. O lugar é sensacional, foi inaugurado em 1895 e em 2004 fechou para reforma e expansão. Esta curta e excepcional mostra de arte contemporânea e design me deixou boquiaberta. Já na entrada duas enormes paredes exploram a história do museu com cartazes de exposições passadas. No térreo, as instalações retratam identidade cultural. Monumentalism: History and National Identity in Contemporary Art. A obra que mais gostei neste trajeto do museu foi uma vídeo instalação da artista  plástica Slovêna Lucia Nimcova. Ela filmou alguns dos habitantes da sua terra natal fazendo exercícios simples de alongamento ou aquecimento. O interessante é que os movimentos eram feitos por idosos em suas casas ou lugares de trabalho. Chama atenção três senhorinhas no campo, com roupas que me remeteram às nonas do interior do Rio Grande do Sul, tentando sincronizar os seus ritmos. O vídeo é de uma simplicidade linda. Já no andar de cima a criatividade e inovação tomam forma. Fiquei muito tempo na sala da foto ao lado e a vontade era ficar lá por muito tempo mais. Cada palavra, cada frase, trazia alguma coisa pro meu imaginário, lembranças antigas e conspirações flutuaram sob a minha cabeça. As instalações são incrivelmente instigantes. Um vídeo com crianças discutindo seriamente sobre o quadro Weeping Woman de Picasso. A seqüência de imagens em 5 slides de Mario Garcia Torres. O projeto On Kawara – One million years, um homem e uma mulher, dois microfones e datas aleatórias sendo pronunciadas ininterruptamente. O Stedelijk está a um milhão de anos luz na frente. Impressionante.

Rineke Dijkstra

Site: http://www.stedelijk.nl/

Mario Garcia Torres

The Rembrandt House

Demonstração de como fazer uma gravura de Rembrandt... incrível.

Fiquei com o quadro que vi estes dias do Rembrandt na cabeça, aquele do Rijks Museum. Aliás, Rembrandt me deixou um pouco intrigada, por isso, ontem, fui até a casa que ele morou em Amsterdam. The Rembrandt House. O museu fica muito perto do Waterlooplein, um dos maiores mercados à céu aberto da cidade. Rembrandt comprou a casa em 1639. Em 1656 teve graves problemas financeiros e precisou se desfazer de sua grande coleção de arte e objetos exóticos (tem até jacaré empalhado em uma das salas que mostra os objetos, agora, reunidos). Em recente reforma, o interior da casa foi redecorado para que pudessemos realmente visualizar como a casa era quando habitada. São vários andares que mostram desde o quarto de visitas até o estúdio onde Rembrandt trabalhava, minha parte preferida da casa.

As tintas. Os pigmentos usado pelo artista vinham de pedras coloridas que, infelizmente, não vou lembrar o nome, algumas caríssimas, inclusive. Logo após ter tirado esta foto uma das funcionárias do museu fez uma demonstração de como Rembrandt fazia sua própria tinta. Foi genial, fiz um vídeo, mas acho que preciso de umas aulas com meus amigos cineastas, porque ficou muito ruim…rs.

Curiosidade: O povo naquela época bebia bastante cerveja. O vinho era muito caro. Na cozinha, lugar mais frequentado pelos moradores da casa, tem uma cama que fica dentro de uma estrutura de madeira fechada. Também a cama de Rembrandt, em seu quarto, ficava em um compartimento de madeira com portas. Além de estranho, o que me chamou atenção para este detalhe foi o tamanho dos cubículos. Talvez seja só impressão, mas tenho quase certeza que um holandês, deitado e esticado, não caberia ali, já que eles são altos, muito altos. Bom, mas isso talvez seja papo de baixinha.

site: http://www.rembrandthuis.nl

Centro Cultural Hispanohablantes

Cheguei no final de setembro em Amsterdam. Uma das idéias é aprender/melhorar meu inglês que está mais pra lá do que pra cá. Nos primeiros dias já fui atrás de um curso para me matricular e enfim começar a derradeira (sempre acho que é a derradeira) luta contra essa terrível língua, sim, porque eu e o inglês não nos damos bem há anos… Para minha surpresa o trimestre já tinha começado e ficou difícil entrar em um curso regular. Só em janeiro, disse a mulherzinha do British Center. Claro que sempre existem outros cursos, incluindo os que oferecem aulas particulares, mas estes são os olhos da cara. Voltei pra casa preocupada, não queria esperar até janeiro para fazer inglês, até porque não sei até quando ficarei em Amsterdam. Contei pro Renato a minha dificuldade e ele me falou sobre o Centro Hispanohablantes (obrigada amor!).

Entrada do Centro Cultural Hispanohablantes

Do Vondelpark são 5 minutos a pé, fica numa ruazinha tranquila e lá você é recebido com chá e biscoitos. Não, não é a casa da vovozinha da chapeuzinho vermelho. O estúdio com sala de aula, computadores de livre acesso a internet, cozinha, mesas é um espaço onde os imigrantes de língua espanhola podem se encontrar e participar de atividades, incluindo classes de inglês. Tudo isso por 25 euros o ano. Isso mesmo, o ano!!!! Tá, mas tu pode se perguntar: onde entram os brasileiros nisso? Pois é, também tinha essa reticência, mas fui muito bem recebida, mesmo falando um pouquinho em “portunhol”. Pude me associar e com isso faço as aulas de inglês e Holandês (ainda não comecei essa). Entrei no nível intermediário e tenho classes três vezes por semana. Não são aulas super didáticas, com livros e tal, mas os professores são esforçados e simpáticos. Fica a dica, se você pretende melhorar seu inglês e esta por Amsterdam… vale a pena conferir (http://www.hispanohablantes.nl/).

Desafio do Museum card

Lancei um desafio pra mim mesma. Contando a partir desta data vou visitar todos os museus que o Museum Card tem na sua lista. Comprei esse cartão dia desses e ele dá direito a entrar quantas vezes tu quiser nos museus credenciados ao serviço  http://www.museumkaart.nl/ São quase trinta opções. E o desafio é: visitar todos até o final deste ano. Hum… um pouco de loucura pra agitar. Vou enfrentar os dias congelantes de novembro e dezembro e sair a caça de algum museu para explorar. Fazendo uma conta simples, vou ter que visitar um museu a cada dois dias.

Entrada do Museu. Estacione sua bicicleta na frente, do outro lado da rua. A Geraldine ama ficar ali.

Comecei hoje com o museu de arte Rijksmuseum (http://www.rijksmuseum.nl). Maior museu dos Países Baixos com mais de 1 milhão de visitantes por ano, fica na Stadhouderskade 42, no bairro dos museus. Quadros de Rembrandt, Jan Lievens, Hendrick Avercamp. Cerâmicas, armas antigas e até casas de bonecas (lindas por sinal). Eu sabia que Rembrandt era um grande pintor, mas, na minha ignorância, desconhecia que ele era também gravador. Suas obras estão espalhadas pelo museu, algumas chamam atenção pelo tamanho e profundidade. Por exemplo, The Syndics of the Amsterdam drapers’ guild, além de enorme, impressiona pelo olhar dos seis homens retratados. Que Da Vinci me perdoe, mas perto do quadro de Rembrandt o olhar da Monalisa fica miudinho e sem graça. Alias, quem vai ao Louvre ver a Monalisa consegue, no máximo, ver os japoneses que, alvoroçados, fotografam sem parar (sim, porque quando estão em viagem os japoneses substituem a retina pela câmera fotográfica, isso já é comprovado). Rembrandt Harmenszoon Van Rijn nasceu na Holanda em 1606 (há controvérsias quanto a data), fez sucesso com seus retratos, foi um grande mestre para seus discípulos e sua empatia pela condição humana fez com que fosse chamado de “profeta da humanidade”. Uma curiosidade: o artista recrutava seus vizinhos para servir de modelo em suas obras, muitas delas inspiradas em passagens bíblicas. Imagina, ao invés de pedir um xícara de farinha ou um pouco de açúcar o teu vizinho bate na porta e diz: Olá vizinho, tu podes vir aqui um pouquinho? Preciso que tu pose para um retrato!

Bom, começa aqui uma mini jornada que, provavelmente, será bem divertida (tá… divertida pra mim rsrs, mas vocês podem acompanhar, né!). Para os que desconfiarem das minhas visitas vou guardar as entradas como prova (duvido que vai ter alguém interessado nisso no final de dezembro, but…é só pra constar nos anais do desafio). Finito.

Os licores da travessa…

O lugar mais parece a entrada de um túnel do tempo. “Wijnand Fockink”, sim eu sei, um belo palavrão, mas na verdade é o nome do ‘boteco’ mais antigo de licores do mundo (provavelmente). Data de 1679, é escuro, cheio de garrafas, algumas, possivelmente, de 1600 e tanto. Não duvido que as senhoras que servem o licor sejam tataratataranetas dos tataranetos dos fundadores. Até onde entendi, esta pequena salinha, onde podem ser provados dezenas e dezenas de licores em pequenas tacinhas de vidro que nunca são lavadas (explico este detalhe a seguir), era a sala de degustação de uma antiga destilaria. O lugar continua intacto e fica em uma ruela estreita perto da Dam Square (Pijlsteeg 31, tel: 639 1926 1995). Em cima do balcão de madeira maciça e escura onde são servidos os licores tem um tipo de tonel com água corrente e é lá que as moças do lugar mergulham as tacinhas. Sim, somente na água e é assim há mais de 300 anos, nem se atreva a fazer qualquer comentário sobre vigilância sanitária ou germes. A tradição manda que você vá até a tacinha transbordante e tome o primeiro gole ali mesmo no balcão. O licor de maça é incrível, mas são tantos que nem me atreveria a sugerir o mais mais. Vá no final da tarde, pegue sua taça, pague na hora, vá para a frente do estabelecimento (adoro escrever estabelecimento..rs), sente na mureta e aproveite cada gole porque a noite é uma criança…(esse ditado sempre me pareceu estranho, essa coisa de ‘a noite é uma criança’. Se ela é uma criança dorme cedo e não vê nada, não!?).

O casamento turco

Atrasados, sempre estamos atrasados. Pensei: vou chegar depois da noiva!!! De vestido, meia calça e sapatinhos com lantejoulas subi na Geraldine (sapatinhos sem salto pois não sou tão ousada como as holandesas que, de bicicleta, andam de salto agulha). O Renato estava lindo de terno, cachecol e bicicleta. Era final do dia e a luz ajudava a deixar tudo mais bonito. No caminho para o casamento de Aycan e Sahin Geraldine descobriu que, como o Renato, gosta de ouvir o barulho que as folhas amarelas das árvores (que estão pelo chão nesta época) fazem quando são esmagadas pela roda. Bom, já eu, na segunda curva, resolvi esquecer o penteado que tinha feito, estava escandalosamente estranho mesmo, depois do vento todo que levei rezei pra não chegar na cerimônia parecendo um ninho de passarinho. Quando adentramos no lugar onde seria o casamento uma mocinha veio ao nosso encontro com um tipo de lâmpada de Ali-baba querendo alguma coisa, depois de um tempo entendemos que aquilo ali era uma colônia e que tínhamos que nos perfumar. O cheiro era forte, bem forte. Todos os convidados ficariam com o mesmo cheiro nesta noite. Olhando em frente, no corredor para o salão principal, avistamos uma fila de velhinhas, todas baixinhas, troncudas e vestidas com lenço característico na cabeça. De novo não sabíamos muito bem o que fazer, começamos tentando explicar, em inglês, pra uma das senhoras, que parecia ser a mãe do noivo, que eramos convidados de Sahin. Ela pouco entendeu e chamou um guri que passava. Assim, fomos introduzidos na festa por uma criança de uns 10 anos que fora nosso tradutor. Quando me dei conta onde estava pensei naquele filme “Casamento Grego” lembra? O lugar era grande, com decoração branca e metálica,  pilares de espelhos (vários ladrilhos quadradinhos de espelhos), mesas compridíssimas atrás e algumas poucas mesas redondas para 10 pessoas na frente. Pois foi numa destas mesas redondas que sentamos eu e Renato, três holandeses, um casal de turcos e um indiano. Éramos VIPs.

FLASHBACK (Em homenagem ao Hugo que, como ninguém, sabe contar histórias com flashback): dias antes olhei uma notícia curiosa na internet. No domingo próximo milhares de casais iam oficializar seu relacionamento. Segundo nosso amigo Google, o dia 10 de outubro de 2010 (10/10/10) é conhecido como “shi quan shi mei”, ou “perfeito em todas as maneiras” e este tipo de combinação numérica só acontece 12 vezes por século. Daí a superstição de que casar neste dia traria sorte. Pensei que tudo era uma grande viagem e que eu não conhecia ninguém que iria se casar neste dia…

Quando os noivos chegaram no salão todos bateram palmas. A noiva estava com um véu na cabeça que cobria o rosto todo e uma espécie de cinto vermelho no ventre. O noivo estava de branco e parecia bem nervoso. O casal foi para o meio do salão, ele tirou o véu dela com cuidado e deu um beijo na sua testa. Um homem pegou o microfone e começou a falar (nesta hora acho que só a nossa mesa não entendeu nada, excetuando o casal turco). Depois de um tempo eles começaram a dançar e as pessoas foram se aproximando até virar uma roda com os noivos dentro e o som das palmas e dos gritinhos de alegria tomaram conta da festa. A predominância de mulheres na roda era nítida. Elas que fizeram a festa acontecer. Só os homens jovens dançavam, os mais velhos ficavam sentados com cara de Poderoso chefão. É claro que não tive dúvida e fui pra roda dançar também. A dança das mulheres turcas é uma dança de ombros, mãos, braços. Eu olhava e tentava imitar. Algumas das senhoras olhavam pra mim com satisfação e eu entendi que estava conseguindo acompanhá-las. O Renato, ao contrário, disse que eu rebolava demais. Bom, pra quem veio da terra do samba nada mais normal. Chamei o pessoal da mesa e as holandesas e o indiano vieram. Foi muito engraçado. Alias, o Indiano estava sentado ao meu lado durante a festa e fazia caras e bocas para todos aqueles rituais, divertidíssimo. Foi ele quem me disse que a noiva tinha 17 anos, dez menos que o noivo. Perguntei onde eles se conheceram e ele disse que, provavelmente, as familias eram amigas de longa data. Eles realmente pareciam se amar. A festa corria solta e me dei conta de que quando chegamos as mesas estavam praticamente vazias (e eram muitas) e que agora estava tudo tomado de gente. Fiquei pensando que no fim todo o casamento é parecido, exceto alguns rituais e peculiaridades de cada cultura. Sempre tem as tias sentadas, os jovens dançando, as bençãos, as crianças correndo e tentando estragar o bolo (este, em particular, tinha umas pontes e o tradicional casal de noivinhos). A idéia é sempre a mesma: juntar quem você mais gosta num mesmo lugar pra festejar a união, a amizade, a familia. Detalhe: sem bebida alcoólica. Pois é, toda esta folia (eles não pararam de dançar um minuto, praticamente) regada a água e refrigerante. Segundo me explicaram, tomar bebidas alcoólicas no dia do casamento atrai o azar. No fim, um pouco antes de irmos embora, uma fila se formou para que os parentes pudessem dar seus presentes e seus abraços nos noivos. Saímos de mansinho e rimos das crianças que, depois de tanto tentar, conseguiram acionar o alarme de incêndio.

Escrito em 10/10/10, antes da meia noite.

O Brechó da Melissa, da linda senhora e do cachorro.

No mesmo dia que reencontrei o The Movies, ao sair do cinema, continuei andando pela rua, que aliás é ótima e com muitas lojas interessantes. É só seguir em direção ao centro da cidade que você vai encontrar lojas de queijos, vinhos, flores, cafés e alguns bons brechós. Fui caminhando e pensando como a vida era boa… dia lindo de sol, ipod no ouvido e pessoas tão bonitas passando por mim (vale dizer que pessoas bonitas pra mim são pessoas reais, com rugas, roupas extravagantes, com seus filhos, seus amigos, e suas risadas), parece que todas elas sorriam secretamente pra mim e diziam: veja só, viu como vale a pena! Parei na frente de uma vitrine e não tive dúvida alguma em sacar a máquina fotográfica (que trago sempre comigo). O que tinha na vitrine? Uma Melissa. Só pra constar, aqui não tem Melissa em todos os lugares e eu como uma boa mulherzinha que sou fui logo entrando. Tudo bem, esse post é meio Sex and the City…rs, mas bem meia boca, já que não gritei porque vi um Christian Louboutin ou algo do gênero. Era um pequeno brechó, entrei e fui cumprimentada por uma senhora linda de cabelos brancos e seu cachorro (porque as jovens senhoras ou mesmo as pessoas de mais idade aqui tem uma beleza inacreditável, com seus cabelos grisalhos/brancos compridos). E o cachorro tinha um olhar tão simpático que quase pedi pra ele me dar a pata, mas como não sei como se diz “dá a patinha!” em holandês fiquei na minha. Roupas lindas, baratas, coloridas. Me segurei pra não sair comprando tudo. Mas que foi um achado foi. Lembrei das minhas amigas que estão espalhadas por ai – ah, parece que dizendo assim elas foram jogadas a revelia no mundo, né..hehe, mas estão espalhadas mesmo, uma em cada canto e uma mais feliz que a outra.  Quando vocês todas vierem me visitar, vamos tomar um chá com a senhora do brechó e até lá já vou saber algumas palavras em holandês pra poder me comunicar com o cachorro, bom, mas não vou ficar surpresa se a gente descobrir que ele é trilingue. hehe. beijocas.