Black Swan

Os takes, a luz, a dança, os espelhos, o suspense. Saí do cinema sem fôlego. A música original é de Clint Mansell. E, para mim, é ela que dá o tom do filme. Semprei amei diretores que sabem usar a música a seu favor. Me lembro de um filme que adoro, Underground, de Emir Kusturica (1995). Além de diretor, Kusturica é músico. Sua banca, No Smoking Orchestra, faz a maioria das músicas dos seus filmes e arrasa. O diretor de Black Swan, Darren Aronofsky, além de ter o domínio da sonoplastia, adora fazer uso de Snorricam, dispositivo de câmera ligado ao corpo do ator. É só lembrar das vertigens delirantes dos personagens de Requiem for a dream (2000) para ter uma noção do que te espera em Black Swan. Prepare o fôlego e boa viagem!

The takes, the lights, the dance, the mirrors, the suspense. I went out the theater  without air. The original songs are Clint Mansell. And, for me, this give the tone of the movie. I always love directors that know  use the music in own favor. I remember one movie that I love: Underground, by Emir Kusturica (1995). Besides Director, Kusturica is musician. His band, No Smoking Orchestra, makes the most of Kusturica’s movies songs and It’s great. The director by Black Swan, Darren Aronofsky, also have the dominion of the soundscape and He love make the Snorricam (camera’s device on the actor’s body). Just remember the delirious vertigo of the Requiem for a dream (2000) for have the notion that the wait for you in Black Swan. Take a breath and good trip.

Deus salve a Starbucks.

Nestes dias de temperaturas mais que negativas ficar em casa seria a melhor opção. Mas chega uma hora que a parede começa a ficar chata e falar abobrinhas e ai eu tenho que sair. Chai Latte, please. Sento na minha mesa preferida, do canto ao lado da janela, e fico ali, olhando, lendo, escrevendo. Hoje, quando fui pedir meu segundo chai, o atendente perguntou: mas já não te vi aqui hoje? Apontei pra minha mesinha e ele deu risada.

In these days of negative temperatures, stay at home would be the best option. But there comes a time when the wall starts to get boring and talk about pumpkins and then I have to leave. Chai Latte, please. I sit at my favorite table, the corner by the window, and I’m there, watching, reading, writing. Today, when I ask my  second tea, the attendent said: I have seen you here today? I pointed to my table and he laughed.

Sob o céu de Chicago

De tempos em tempos lembro do filme do Wim Wenders. Sob o céu de Lisboa (lisbon Story, 1994) me marcou. Talvez porque quando eu tinha meus vinte anos, por um daqueles impulsos que surge de tempos em tempos, quis morar em Portugal. Planejei, enlouqueci minha mãe com a história, mas não viajei. Só fui colocar meus pés em Lisboa pela primeira vez há um par de anos atrás. Tenho ótimas recordações da época em que sonhava com o Tejo e tinha o Fernando Pessoa como confidente. Estes dias a Ângela, grande amiga desde os meus doze anos  e minha “tutora” nos USA, me falou sobre o céu de Chicago. Eu já tinha percebido uns tons de rosa e violeta mesmo tarde da noite. Ela me explicou que o céu de Chicago tem esse jeito de aceso por a cidade ser muito iluminada. Como um reflexo, o céu parece estar dando uma festa. É certo que as estrelas ficam soterradas por tanta luz, mas que é um espetáculo ficar olhando pra cima, isto é.

The Art Institute of Chicago

Quando sai de casa ontem não imaginei que iria dar de cara com uma tela do Pollock. Me lembro de ter adorado o filme de Ed Harris no começo dos anos 2000. Toda aquela tinta jogada na tela, aquela paixão doentia. O artista americano, influenciado pelo cubismo de Picasso e pós cubismo de Miró e kandinsky, foi o expoente máximo do expressionismo abstrato. Quando fiquei frente a frente com Greyed Rainbow (1953) choquei (como diriam meus amigos mineiros). E foi só dar mais uns passinhos, olhar pra cima e pirar com um dos mobiles do Alexandre Calder (que eu amo e tinha visto no Pompidou, em Paris, ano passado). O Instituto de Arte de Chicago é enorme e entre quadros do Monet, esculturas do Rodin, pinturas do Van Gogh, Picasso, Delacroix e tantos outros grandes nomes da arte mundial me senti pequenininha.

Em homenagem a Geraldine!!! Lightlane, 2009

Uma das mostras mais legais é a Arquitecture and Design. Hiperlinks, social Design, multimedia. A obra de Evan Gant e Alex Tee (lightlane, 2009) faria o maior sucesso em Amsterdam. Uma bicicleta com projeção digital. Duas barras verdes e a imagem universal de ciclista sendo projetada na pista. Já Keiichi Matsuda, ao som de Garota de Ipanema de Tom Jobim, dá sua versão do consumismo desenfreado na realidade alternativa de Domestic Robocop (2010).

http://www.artic.edu/aic/

Viajando no espaço tempo.

Chicago do alto!

Comecei a ver Lost tardiamente. Um grande amigo reunia no seu apartamento, todas as semanas, vários outros amigos para ver os episódios. Adoro essa coisa de juntar pessoas  queridas no mesmo lugar e ficar rindo, conversando, bebericando, independente do motivo. Me lembro que quando cheguei em Porto Alegre, lá por 2004, comecei a participar de um grupo que se reunia todas as quartas-feiras. Era um esquema meio filantrópico. Fazíamos reuniões para organizar visitas a um orfanato e levar as crianças ao zoo ou no parque para um piquinique. Mas na verdade, isso era só mais uma desculpa para fazer amigos e se divertir nas noites de quarta. Alias, fiz grandes amigos na época do “Movimento da Quarta”. E não era diferente nas “Lost Nights” em sampa. Com um único detalhe: fiquei viciada em Lost. Toda aquela coisa de viagem no tempo, futuro e passado se conectando, me deixou fascinada. Pois semana passada me senti dentro de um dos episódios do seriado americano. No dia mais longo da minha vida, viajei 24h em 16h, atravessei fusos horários, perdi conexões, e só faltou o urso polar, porque a neve estava lá. A espera em Amsterdam, a correria em Paris, os taxis amarelos em NY e finalmente Chicago.  Mas o mais engraçado é que, mesmo ficando horas em NY, só fui realmente perceber que estava nos Estados Unidos da América quando entrei  no teco-teco que me levou de NY à cidade do Al Capone.  Alias, uma nota, o avião era tão velho que parecia que eu estava enxergando em sépia. Cansada, sentei em qualquer banco e já ia apagando quando escuto a aeromoça brigando com o controlador de voo. Sério, comecei a rir e uma felicidade me invadiu. Nunca fui muito fã de filmes hollywodianos, mas é impossivel escapar, principalmente na infância, quando se tem uma TV aberta com a programação americanizada. De Caça fantasmas à ghost. Todos os estereótipos americanos estão na minha cabeça. Escondidos, mas estão. Foi com gosto que ouvi aquele acento tão familiar, que me lembrou os filmes de ação policial com o Eddie Murphy. Me senti em casa, como se estivesse no sofá da minha mãe vendo sessão da tarde e comendo sucrilhos sem leite.

A Geraldine tirou férias.

A Geraldine definitivamente não é chegada na neve. Gosta das folhas do outono no chão e da brisa nas noites de verão, mas do inverno ela não é muito fã. Por isso decidiu sair de férias. E já que ela saiu de férias eu decidi conhecer a terra do Tio Sam. Vou passar um tempo em Chicago. Cidade linda, terra do Al Capone e do Lago Michigan.

Geraldine definitely doesn’t like snow. She enjoys Autumn and the Summer’s night breeze,  but not Winter. So, as she decided to quit and went on vacation, I decided to intriduce myself to the Uncle Sam. I’ll spend some time in Chicago. Beautiful city, home of Al Capone and Lake Michigan.

Vista do apê da Angie. New point of view.
Vista do apê da Angie. New point of view.

Os astronautas são felizes.

Mina das Panasqueiras

Sempre gostei de ficar embaixo d’agua. Como um astronauta, ouvir somente a própria respiração. O silêncio me encanta. Reencontrá-lo é como abraçar um velho amigo que há muito não se vê. Pois foi estes dias, em uma viagem, que consegui ouvir o silêncio novamente. Já viajei muito nessa vida. Uma época intensa foi quando entrava em um ônibus que virava palco e saia pelas cidades do Brasil fazendo teatro. Foram anos de estrada, de cidade em cidade, vilarejos, aldeias, cantinhos remotos do Brasil. O palco era armado na praça central do lugar. Quantas imagens lindas guardo na retina. As lágrimas do senhor que, após o espetáculo, veio na coxia nos contar que nunca tinha visto teatro antes. As crianças que acompanhavam a maquiagem com toda a atenção. As pessoas vindo de suas casas com o banquinho à tira colo. Os campos, as serras, as encostas. As estrelas que refletiam no lago que mais parecia um mar de vagalumes. As madrugadas atravessando fronteiras. E o silêncio. Depois que todos dormiam naquele ônibus improvisado que, de tempos em tempos, quebrava no meio do nada, eu juro que conseguia ouvir o silêncio. Há tempos não sentia mais isso. Mesmo nas viagens que fazia pelo Brasil nos últimos anos. Amazônia, Pernambuco, Minas, Rio e tantos outros lugares que fui depois. Pois estes dias reencontrei o silêncio. Foi uma boa surpresa chegar naquela pequena aldeia já tarde da noite e ouvir o silêncio. Agradeço ao Paulo e a Inês por nos guiarem por lugares tão belos e tão particularmente inusitados. Nestes dias de viagem pela zona da Serra da Estrela e do Alentejo em Portugal, por vezes, olhava para fora do carro e podia ver os pampas gaúchos e podia lembrar da época em que entrava no ônibus do Viramundos, muitas vezes, sem nem saber para onde estava indo. Pois foi assim também nas estradas de Portugal (e Espanha, depois de uma curva pra esquerda, que fique registrado).

Serra da Estrela