Dobre a próxima à direita.

Uma das pessoas com mais paz de espírito que tive o prazer de conhecer foi o seu Roberto. Acredito que era por conta dessa quietude de alma que ele, generoso do jeito que era, fazia Reiki nas pessoas. Me lembro de um dia o Seu Roberto olhar pra mim com um sorriso e responder ao que eu estava pensando. “Renata, se o teu corpo pede para dobrar à direita então dobre. Se o teu instinto diz pra fazer ou não tal coisa, ouça. O corpo e a mente são sábios.” Foi depois dessa conversa que comecei a perceber o quanto é importante escutar a ti mesmo. Tempos mais tarde, entrava em um ônibus rumo à capital, com duas malas a tira colo. Lembro de um dos meus melhores amigos de infância, o Ronaldo, me levando na rodoviária e dizendo com aquele jeito engraçado que só ele sabe: “tu tá parecendo uma retirante”. Lembrei muito disso hoje, ao pensar em todas as cidades, pessoas, lugares, empregos e vida que tive nestes últimos anos. No dicionário retirante quer dizer – pessoa que foge da seca – de certa forma eu sou uma retirante no mundo. Não fugi da seca, mas, agora, precisava ver o mar.

Ao redor e além

Para conhecer uma cidade é preciso se perder nela. Não adianta. Você pode ter os mapas, GPS e todos os Itudo destes tempos on line, mas o melhor mesmo é seguir o instinto e sair andando. Sempre desconfio de pessoas que tem tudo planejado e mapeado. Em viagens, este tipo de pessoa, por exemplo, tem até a parada para o xixi na agenda, como se o organismo fizesse parte de um compromisso. Uma cidade é como uma música, quanto mais se canta, mais se ouve, mais se conhece e ela acaba se tornando parte da sua vida, ou você da dela. Comece olhando pro lado, pra sua rua, para o seu entorno e os primeiros acordes vão aparecer.

 

A bicicleta do ratinho

Uma das minhas mémorias da infância é ler O segredo do Curumim. Eu devia ter uns seis anos. Ganhei o livro de alguém, provavelmente do meu irmão Adilso, que além de me dar o livrinho/disco me deixava brincar com os vinis do Ha-ha e com as suas K-7 com compilações que iam de Beatles à Legião Urbana.  O vinil da Arca de noé também era guardado a 7 chaves. Mas aquele livro com o indiozinho que falava com onça e queria paz na tribo me cativou. Muito tempo se passou até eu entender que uma das razões de amar Chico Buarque era por conta das  tardes que passava escutando o disquinho que tinha Passaredo do Chico como música tema.

Nestes últimos anos, muitos dos meus bons e velhos amigos procriaram. Sim, a prole cresce a olhos vistos. E acho ótimo. Pais lindos, crianças conscientes do que é felicidade. Não sei se é por conta deste crescimento demográfico, mas tenho me deparado com boa literatura infantil. Hoje, no meio de um almoço delicioso surgiu um livrinho muito querido que preciso compartilhar. A bicicleta do Ratinho com texto e ilustração de Vitor Bellicanta conta a história de um ratinho que tem sua bicicleta roubada por um elefante. Ilustrações ótimas, com direito a Tamanduá pensativo e Hipopótamo apaixonado. Não tenho idéia onde o povo comprou o livrinho, mas achei o Flick do Bellicanta.