Para as Renatas

Um dia perguntei sobre meu nome. Renata. Tão comum, tão separável. Dona Illa, minha mãe, 71 anos com orgulho, na época, disse: tinha uma vizinha, ela era tão querida. E assim foi. Nada mitológico, nada místico, nem um pouco grego. Era o nome da vizinha.

Estes dias rolou muita coisa doida, muito estresse. Quando deu meio-dia eu pedia pra ser meia-noite. Respira fundo. Respira. Tudo dava errado, tudo parecia errado. Mas ai veio a primeira Renata e me resgatou da frente do computador para um almoço leve, com motorista particular. Seu luiz, com sua van no Rio Comprido, é quase rei. Entre saladas e vontade de brigadeiro na sobremesa, fui ficando melhor. Mas voltei pro projeto que dava errado, para o prazo que estourou, o e-mail que foi atravessado. No fim do dia, quando já pedia perdão por ter nascido, recebi uma ligação abençoada da segunda Renata: Deus, é hoje o show do Delacroix, tu lembrava? O que fazemos? E eu: Agora. E ela: Adoro. E seguimos pro CCBB dentro de um táxi. Expliquei pra ela que entre nossos amigos a frase dominante é: Vem comigo que no caminho te explico! Ela riu e sabia do que eu estava falando. Eu amo amigos que entendem. O show foi lindo, pessoas queridas, possíveis bons amigos. E teve volta ao pago e teve lembranças e teve cheiro de mate. No final daquela noite, depois de uma taça de vinho que já me lembrava o que vou viver no chile, pensei que as Renatas foram minha salvação. Cada vez mais adoro meu nome.
obs. o vídeo é de um projeto que assino em baixo: Unimúsica e com o querido do Vitor.

Foto Tielle Mello's
Foto Tielle Mello's

Circo, sax, sol raiando.

Lembro a primeira vez que fui a um circo. Não sei quantos anos eu tinha, mas tenho certeza que ali nascia a vontade de estar em um palco. Quando vou ao circo, seja ele qual for, me sinto estasiada. Ontem foi assim. O Circo Voador sempre faz isso comigo. Mas lá, ao invés do trapézio, são as guitarras que me deixam sem ar. Pedro Luís e Mariana Aydar na mesma noite é um luxo só.

Lagoa cheia de graça

Sempre vai ter uma criança olhando um cachorro e um cachorro olhando para uma criança. E quando não tem movimento, os garçons jogam canastra nos fundos do bar. Bicicletas de um, dois, três lugares levam a família. E todos caminham no ritmo da música. Desconfio que o menino franzino da camiseta de caveira escuta Wilson Simonal. Seu Luciano continua escolhendo os melhores cocos e segue procurando um ajudante. Os pescadores só aparecem lá pelo final da tarde, sempre com alguma história pra contar. E meu novo amigo, Horácio, quer ser adotado. Ele é igual a Lagoa Rodrigo de Freitas, cheio de graça.

O Horácio
O Horácio

As últimas flores do jardim das cerejeiras

Hoje, quando quase imploramos para entrar no teatro lotado, não tinha ideia do que me esperava. Um labirinto, minotauros, Ariadnes (né, Renata Ferraz!?) e gueixas nos esperavam. Inspirado na obra “O Jardim das Cerejeiras”, de Anton Tchekhov (1860-1904), o Grupo Oficina Multimédia de Minas Gerais conseguiu fazer um belo espetáculo. Adoro sair anestesiada do teatro, com a sensação do novo rondando o meu caminho.