A casa de Santiago – Instituto Moreira Salles.

A casa projetada em 1948, foi inaugurada em 1951. Assinada por Olavo Redig de Campos, o esplêndido palacete, que fica no alto da Gávea, tem ainda projeto paisagístico de Roberto Burle Marx. Anos atrás, numa corrida de táxi, eu e Virgílio escapamos, quase eufóricos, em direção à Marquês de São Vicente. Mas para nossa decepção, o ar era de reformas.  Nascia ali um mito. Eu precisava entrar por aqueles portões fechados e descobrir o mundo de Santiago. Porque tudo começou com ele. A história do mordomo argentino que dançava com as mãos, tocava Beethoven num piano Steinway de cauda, declamava Ovídio em latim e fazia arranjos de flores sob inspiração de partituras clássicas me cativou. Por 30 anos ele comandou a casa dos Moreira Salles e virou personagem principal do documentário feito por João Moreira Salles: Santiago (Brasil, 2007). Pois hoje, encontrei os portões abertos. Como uma Alice, fui descobrindo as maravilhas desse lugar único e arrebatador. As histórias sobre festas, jantares, recepções, surgiam enquanto eu tomava café em frente aos azulejos de Burle Marx. Fantasmas contavam mentiras ao pé do meu ouvido. A quadra de futebol abandonada tinha barulho de riacho e cheiro de jasmim. Obra prima da arquitetura moderna carioca, a casa, hoje, abriga o Instituto Moreira Salles. Amo fotografia e fiquei imensamente feliz ao me deparar com exposições de Manuel Álvarez Bravo e Thomaz Farkas. O primeiro, mexicano, com sua fotopoética registrou de anônimos até amigos como Frida Kahlo. Já Farkas, considerado um dos expoentes da fotografia moderna no Brasil, tinha uma visão humanista, próximo do fotojornalismo e da fotografia documental. Ele quem dizia que o fotógrafo é um mágico militante.

05. December 2011 by renata
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