Brasil Rural Contemporâneo 2012

Visitem a VIII Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma – Brasil Rural Contemporâneo 2012. Diversidade, tradição e a riqueza da nossa cultura (culturas, no plural) em um único local. Maior evento de agricultura familiar do Brasil, de 21 a 25 de novembro, na Marina da Glória – Rio de Janeiro. Além da feira, debates e diálogos, a programação cultural está ótima. Hoje Elsa Soares + Gabi Amarantos e no sábado tem Orquestra Imperial.

casa

Depois de sete anos morando fora, chego ao Rio de Janeiro no fim de dezembro, em pleno verão. Em casa, as paredes e os móveis se escondem sob uma camada de bolor. Não fossem as rotas verdes traçadas pelos musgos, eu diria que o intervalo que separa a partida do retorno não existiu. O cheiro forte quase me expulsa, mas persisto, e entro. Deixo as malas no corredor e abro a janela, minha grande janela de vidro, esquadrias em madeira, pintadas de branco. Um bafo me envolve o rosto, não há vestígio de brisa. Gotas de suor me atravessam os poros em ritmo acelerado, rompem a barreira da pele, escorrendo por todo o corpo, deixando-me encharcada. Há anos eu não suava assim. Há anos eu não sentia a roupa colando ao corpo, como embaixo de um temporal. Finalmente, e sem demora, entendo por que voltei. Meu corpo entende, o mesmo corpo que sempre protestou contra o ar ríspido da Europa com pernas ressecadas, cabelos em textura de palha, náuseas, tonturas, dificuldade de respiração. Suado, ele se reconhece. Muito antes do que eu imaginava, meu sangue desperta, atiçado pelo mês de dezembro. Então percebo, sentada no sofá umedecido pelo suor, por que voltei: porque aqui, no Rio de janeiro, meu corpo se sente em casa.

Tatiana Salem Levy é escritora e tradutora.

O avião já descia quando comecei a ler o último texto do livro que levei comigo para uma viagem necessária e bonita para o sul do sul do país. Olhei de relance o Rio de Janeiro, de cima, pela janela do avião. 35 graus avisa o piloto. A moça ao meu lado é uruguaia, pensei. Uma criança chorava e os gritos lembravam o som de uma engrenagem de roda gigante de cidade pequena… Teoria para a alegria carioca II: a tristeza sai pelos poros. Alguns textos, algumas palavras, chegam na hora exata que devem chegar. Isso sempre aconteceu. Pelo menos, acontece comigo. Já no táxi, o motorista pergunta, de certo por conta do meu olhar perdido de alegria: há quando tempo a senhora mora aqui?

a vida toda.

Eu também sou uma fruta Gogóia?

Sábado, voltando pra casa, vi umas pessoas paradas, esperando. Parei, esperei junto e entrei. E deu nisso. Um espetáculo incrível de Thelma Bonavita. Elementos da Tropicália, do movimento antropofágico, do pop e da moda em três tendências: Tendência ao fantástico ou “o desejo de flutuar”; Tendência transitiva ou “o artista-dj”; Tendência ao transbordamento ou “passaportes falsos.” Projeto Entre do Sergio Porto. 

Amei ajudar alguém a flutuar e no final, já de peruca loira na cabeça, fui purpurinada.

Fotos da ótima Paula Kossatz.

 

Passagens secretas

O Rio tem disso. Umas passagens. Elas te levam pra longe. É só imaginar. Ontem foi a vez da Biblioteca Nacional me deixar boquiaberta. O tour guiado é rapidinho e dá pra fazer no horário do almoço, como eu fiz. Várias histórias, vários séculos e muita Art Deco. O mais legal foi ir ao banheiro e encontrar com as vigilantes voltando do almoço. 12 horas de trabalho digno e muito glamour. Todas, na frente do espelho passando batom.

 

Fotos, fotos, fotos.

A exposição Coleção Itaú de Fotografia Brasileira esta linda. Fui conferir a abertura da mostra ontem no Paço Imperial que, alias, é um magnífico casarão que fica no centro do Rio. Com curadoria de Eder Chiodetto, o recorte contemporâneo de obras que o Itaú vem colecionando ao longo de 60 anos vale a pena ser conferido. Clique aqui e veja como chegar!

o meu, o seu, o nosso Fellini.

A exposição sobre Fellini, sua obra, vida e genialidade, foi prorrogada no Instituto Moreira Salles. O que tu tá esperando? Um convite? Alguém que te leve? Uma coincidência? Pois bem, escolha sua história e corra!!! Imperdível. Pena que minhas amigas Burle Carpas não estão na fonte. Desconfio que elas foram parar em Roma.. É bobo, é clichê, mas ainda vou arrumar um moço e um gato picolo i bianco que topem fazer a cena da Fontana no melhor estilo Anita Ekberg.

Curiosidades: A cena de strip-tease e mesmo a da Fontana di Trevi de La Dolce Vita foram inspiradas em acontecimento reais muito bem fotografados por Paparazzos (e lá vem o Federico inventando nomes) na louca Roma do final dos anos 50.

http://youtu.be/5gAvsKcUfBs