As últimas flores do jardim das cerejeiras

Hoje, quando quase imploramos para entrar no teatro lotado, não tinha ideia do que me esperava. Um labirinto, minotauros, Ariadnes (né, Renata Ferraz!?) e gueixas nos esperavam. Inspirado na obra “O Jardim das Cerejeiras”, de Anton Tchekhov (1860-1904), o Grupo Oficina Multimédia de Minas Gerais conseguiu fazer um belo espetáculo. Adoro sair anestesiada do teatro, com a sensação do novo rondando o meu caminho.

 

Parque Lage

Acho que já mencionei o Parque Lage aqui no blog, mas com o passeio que fiz ontem, penso que o lugar, que data de 1811, merece um post pra chamar de seu. Aos pés do morro do Corcovado, os 52 hectares de natureza exuberante, ao longo destes dois séculos, passaram pelas mãos de alguns magnatas. Em 1920, o parque é re-adquirido por Henrique Lage, neto de Antônio Martins Lage, antigo proprietário e tem sua reforma encabeçada pelo arquiteto italiano Mario Vodret. Já a esposa de Henrique, Gabriela Bezanzoni (que não era ruiva*) dava o tom musical  e social à mansão, convidando a elite carioca para suas festas e saraus – a moçoila era cantora Lírica. Uma boa surpresa foi descobrir que a escritora Marina Colasanti morou por ali, pois é sobrinha neta de Gabriela. Em meados dos anos 60 a propriedade foi desapropriada e convertida em parque público, hoje, no palácio, funciona a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Alias, a exposição “Para o silêncio das Plantas” de João Modé, que vai até 11 de março, vale a pena ser visitada. O projeto propõe uma intervenção com trilhas no meio do mato e música tocando intercaladas com o silêncio.

* Ano passado tive o prazer de explorar um pouco do parque com grandes amigas. Após descobrir a história de amor entre Henrique e Gabriela, ficamos elaborando várias conspirações românticas e tínhamos aquela certeza absoluta, aquela que só quem tem são os amantes de mistérios descabidos, histórias em quadrinhos e filmes do Hitchcock, que a cantora lírica era ruiva. Uma das histórias que descobri é que depois que casou, Gabriela não cantou mais em público. Só pra ele?

Pixar do Parque Lage
Pixar do Parque Lage
As trilhas de João Modé
As trilhas de João Modé

 

 

 

Light painting

Foto feita pela agência Gringo na campanha da Absolut Glimmer
Foto feita pela agência Gringo na campanha da Absolut Glimmer

Em dezembro fui numa mostra muito bacana aqui no Rio chamada Tocayo. Coletivo que reuniu vários artistas em performances, oficinas, cinema, exposições e shows em um galpão no centro da cidade. Fora as reformas,  que pipocam pela cidade e chegaram a atrapalhar um pouco o acesso ao evento, as 12 horas de programação non stop foram bem vindas e recheadas de coisas bacanas, como sessão de cinema, circo e poesia. Alias, acho que pouca gente reparou, mas adorei os horários marcados para o começo das atividades, 16h16, 19h19, 22h22 e por assim ia. A primeira vez que me deparei com horários quebrados foi numa estação de trem em Asmterdam. Lá as saídas de trem são todas quebradinhas, mas funcionam que uma beleza. Nem pense em chegar na corrida pra pegar um trem depois do horário definido, do tipo: 13h49. Bom, mas uma das coisas que mais gostei, além de assistir uns curtas antigos feitos aqui no Rio, foi uma oficina de Light painting.  A técnica que basicamente consiste em fazer figuras com uma câmera fotográfica utilizando fontes de luz me cativou. Fotos com desenhos inusitados ou aleatórios fizeram sucesso num stand que, senão me engano, era patrocinado pelo Itaú. Segundo Marcio Isensee, idealizador e produtor do evento que começou junto com alguns amigos  mostrando seus trabalhos em 2004, “toda a arte é bem vinda” ou “tudo junto misturado” são bons slogans para o Tocayo.

Confere como ficou a exposição do Coletivo Muda . Tem fotos bacanas do evento no blog do Henrique Madeira e light painting também.

Ps: O coletivo Muda me fez perceber que estou com uma obsessão por azulejos. Saco a câmera pra todos que vejo, acho que é o Rio querendo me dizer algo.

A Geraldine quer uma foto assim!!!
A Geraldine quer uma foto assim!!!
The picture never knows - Foto do Tocayo 2011
The picture never knows - Foto do Tocayo 2011

A casa de Santiago – Instituto Moreira Salles.

A casa projetada em 1948, foi inaugurada em 1951. Assinada por Olavo Redig de Campos, o esplêndido palacete, que fica no alto da Gávea, tem ainda projeto paisagístico de Roberto Burle Marx. Anos atrás, numa corrida de táxi, eu e Virgílio escapamos, quase eufóricos, em direção à Marquês de São Vicente. Mas para nossa decepção, o ar era de reformas.  Nascia ali um mito. Eu precisava entrar por aqueles portões fechados e descobrir o mundo de Santiago. Porque tudo começou com ele. A história do mordomo argentino que dançava com as mãos, tocava Beethoven num piano Steinway de cauda, declamava Ovídio em latim e fazia arranjos de flores sob inspiração de partituras clássicas me cativou. Por 30 anos ele comandou a casa dos Moreira Salles e virou personagem principal do documentário feito por João Moreira Salles: Santiago (Brasil, 2007). Pois hoje, encontrei os portões abertos. Como uma Alice, fui descobrindo as maravilhas desse lugar único e arrebatador. As histórias sobre festas, jantares, recepções, surgiam enquanto eu tomava café em frente aos azulejos de Burle Marx. Fantasmas contavam mentiras ao pé do meu ouvido. A quadra de futebol abandonada tinha barulho de riacho e cheiro de jasmim. Obra prima da arquitetura moderna carioca, a casa, hoje, abriga o Instituto Moreira Salles. Amo fotografia e fiquei imensamente feliz ao me deparar com exposições de Manuel Álvarez Bravo e Thomaz Farkas. O primeiro, mexicano, com sua fotopoética registrou de anônimos até amigos como Frida Kahlo. Já Farkas, considerado um dos expoentes da fotografia moderna no Brasil, tinha uma visão humanista, próximo do fotojornalismo e da fotografia documental. Ele quem dizia que o fotógrafo é um mágico militante.

CCBB Rio

Cartaz do The Darjeeling Limited

Abre parênteses. Me lembro de um dos dias que mais ri na vida. Sim, porque são estes os dias que a gente tem que realmente lembrar. Estava com dois grandes amigos e até hoje me pergunto se alguém colocou algum alucinógino no nosso almoço. No fim do dia os convenci a ir ao cinema ver Viagem a Darjeeling. Eles, pensando que se tratava de um documentário israelense, entraram no escurinho do cinema desconfiados.  Fecha parênteses. Semana passada, chegando no CCBB do Rio, me deparei com uma exposição sobre a Índia. Me emocionei na sala dedicada ao Mahatma Gandhi. Eu sabia que ele tinha sido advogado e lutado pela libertação da Índia, mas não tinha a dimensão do que aquele homem franzino e com uma sabedoria incrível, tinha feito. Andando um pouquinho, em uma outra ala da exposição, li algo sobre Darjeeling e, na hora, lembrei de um Passagem Para (programa ótimo do Nachbin) e daquele domingo feliz, fechado com chave de ouro em um dos cinemas da Augusta em São Paulo.

Foto: Rogério Belorio | CCBB

 

 

 

 

 

 

 

São Paulo eu te amo

Hoje o dia foi para dizer “Oi São Paulo, eu te amo”. Primeira parada: Pinacoteca. Já de cara, as obras de Olafur Eliasson surpreenderam. O artista, nascido na Dinamarca em 1967, trabalha com muita luz, cor e reflexos. Take your time (2008) foi a que mais gostei: espelho inclinado pendurado no centro do teto que gira em torno do seu próprio eixo refletindo tudo o que estiver no espaço. Outra exposição que vai só até 06 de novembro e que adorei foi a do Saul Steinberg – As aventuras da linha. Em parceria com o Instituto Moreira Salles, 110 desenhos do artista gráfico são apresentados ao público. Algumas obras que estiveram em uma exposição organizada pelo MASP em 1952 estão presente. O traço do cara é genial. Imperdível. Bom, mas não parou por aí. Girondino, canto gregoriano e pedidos no mosteiro de São Bento, Talma de Freitas no CCBB, Edíficio Martinelli, Cervejaria São Jorge, Augusta, Cinema e boas risadas.

Take your time (2008) - Olafur Eliasson
Take your time (2008) - Olafur Eliasson
Os reflexos do Olafur Eliasson novamente.
Os reflexos do Olafur Eliasson novamente.

Para não fugir do tema, reflexos de uma amiga da Geraldine no centro de Sampa.
Para não fugir do tema, reflexos de uma amiga da Geraldine no centro de Sampa.

The Future

Eu amo Miranda July. Queria fazer um filme pra ela, dizendo o quanto o trabalho dela significa pra mim, o quanto me inspira. Tentei ver The Future outro dia e falhei na minha missão. Hoje cheguei a tempo e assisti o filme com mais 5 pessoas. Pessoas desconhecidas, mas que no fim da sessão tive vontade de abraçar. Acho que precisaria de uma instalação como Eleven Heavy Things da Miranda pra fazer isso com mais naturalidade.

 

Abraçe o estranho ao lado. Agora.
Abraçe o estranho ao lado. Agora.

A Paris de Van Gogh

A exposição temporária no subsolo do museu Van Gogh em Amsterdam esta brilhante. Como na mostra anterior (Picasso in Paris 1900 – 1907) a idéia é traçar o desenvolvimento do artista, de sua obra e, claro, a influencia da cidade luz nisso tudo. Por exemplo, depois de escanear um dos quadros que Van Gogh pintou entre 1885 e 1888 (período em que morou entre Paris e Antwerp), pode-se ver os telhados de Paris. Dois grandes especialistas, Ella Hendriks e Louis van Tilborgh trabalharam anos neste projeto que fica até o dia 18 de setembro no museu Van Gogh.

 

 

Texto de abertura da exposição Van Gogh in Antwerp and Paris: New perspectives
Texto de abertura da exposição Van Gogh in Antwerp and Paris: New perspectives

 

 

 

 

Vincent van Gogh