Light painting

Foto feita pela agência Gringo na campanha da Absolut Glimmer
Foto feita pela agência Gringo na campanha da Absolut Glimmer

Em dezembro fui numa mostra muito bacana aqui no Rio chamada Tocayo. Coletivo que reuniu vários artistas em performances, oficinas, cinema, exposições e shows em um galpão no centro da cidade. Fora as reformas,  que pipocam pela cidade e chegaram a atrapalhar um pouco o acesso ao evento, as 12 horas de programação non stop foram bem vindas e recheadas de coisas bacanas, como sessão de cinema, circo e poesia. Alias, acho que pouca gente reparou, mas adorei os horários marcados para o começo das atividades, 16h16, 19h19, 22h22 e por assim ia. A primeira vez que me deparei com horários quebrados foi numa estação de trem em Asmterdam. Lá as saídas de trem são todas quebradinhas, mas funcionam que uma beleza. Nem pense em chegar na corrida pra pegar um trem depois do horário definido, do tipo: 13h49. Bom, mas uma das coisas que mais gostei, além de assistir uns curtas antigos feitos aqui no Rio, foi uma oficina de Light painting.  A técnica que basicamente consiste em fazer figuras com uma câmera fotográfica utilizando fontes de luz me cativou. Fotos com desenhos inusitados ou aleatórios fizeram sucesso num stand que, senão me engano, era patrocinado pelo Itaú. Segundo Marcio Isensee, idealizador e produtor do evento que começou junto com alguns amigos  mostrando seus trabalhos em 2004, “toda a arte é bem vinda” ou “tudo junto misturado” são bons slogans para o Tocayo.

Confere como ficou a exposição do Coletivo Muda . Tem fotos bacanas do evento no blog do Henrique Madeira e light painting também.

Ps: O coletivo Muda me fez perceber que estou com uma obsessão por azulejos. Saco a câmera pra todos que vejo, acho que é o Rio querendo me dizer algo.

A Geraldine quer uma foto assim!!!
A Geraldine quer uma foto assim!!!
The picture never knows - Foto do Tocayo 2011
The picture never knows - Foto do Tocayo 2011

Late Bloomer

Até pensar neste post não tinha ideia do que significava late bloomer, na minha cabeça, tinha haver com velhos amantes, antigos ditados, sei lá… um atrasado de coisas da vida. Pois o significado é outro, totalmente diferente dos meus segundos desperdiçados no assunto. Thomas Edison foi um late bloomer, Albert Einstein também. Pessoas que não acompanham o ritmo “normal” da sociedade, na infância aprendem a ler tardiamente ou mostram suas habilidades muito mais tarde que o habitual na fase adulta. Ontem vi o ótimo filme de nome Late Bloomers (Trois Fois 20 Ans, no francês) com roteiro de  Olivier Dazat e Julie Gavras. Foi muito bom reencontrar a bela Isabela Rossellini em um cinema de rua, um dos poucos que sobraram no país (Cine Santa Teresa). Lembrei de Blue Velvet (1986) de David Lynch e de Isabela cantando Blue Star em um vestido preto que deixava as costas dela a mostra. Fiquei pensando que saber envelhecer é uma arte para poucos. Pouquíssimos.

CCBB Rio

Cartaz do The Darjeeling Limited

Abre parênteses. Me lembro de um dos dias que mais ri na vida. Sim, porque são estes os dias que a gente tem que realmente lembrar. Estava com dois grandes amigos e até hoje me pergunto se alguém colocou algum alucinógino no nosso almoço. No fim do dia os convenci a ir ao cinema ver Viagem a Darjeeling. Eles, pensando que se tratava de um documentário israelense, entraram no escurinho do cinema desconfiados.  Fecha parênteses. Semana passada, chegando no CCBB do Rio, me deparei com uma exposição sobre a Índia. Me emocionei na sala dedicada ao Mahatma Gandhi. Eu sabia que ele tinha sido advogado e lutado pela libertação da Índia, mas não tinha a dimensão do que aquele homem franzino e com uma sabedoria incrível, tinha feito. Andando um pouquinho, em uma outra ala da exposição, li algo sobre Darjeeling e, na hora, lembrei de um Passagem Para (programa ótimo do Nachbin) e daquele domingo feliz, fechado com chave de ouro em um dos cinemas da Augusta em São Paulo.

Foto: Rogério Belorio | CCBB

 

 

 

 

 

 

 

The Future

Eu amo Miranda July. Queria fazer um filme pra ela, dizendo o quanto o trabalho dela significa pra mim, o quanto me inspira. Tentei ver The Future outro dia e falhei na minha missão. Hoje cheguei a tempo e assisti o filme com mais 5 pessoas. Pessoas desconhecidas, mas que no fim da sessão tive vontade de abraçar. Acho que precisaria de uma instalação como Eleven Heavy Things da Miranda pra fazer isso com mais naturalidade.

 

Abraçe o estranho ao lado. Agora.
Abraçe o estranho ao lado. Agora.

Pathé Ladies Night

Eu amo cinema. E amo ir ao cinema. E vou confessar que adoro ir sozinha. Digo confissão porque muitas das pessoas com quem comento sobre o assunto acham um sacrilégio ir ao cinema sozinho. Uma amiga chegou a me perguntar uma vez: Você não tem vergonha? Fiquei me perguntando do que eu teria vergonha e é óbvio que a resposta foi nula. Bom, mas essa introdução foi só pra dizer que ontem, ao contrário do costume, fui com duas amigas queridas no Pathé Ladies Night. Imagina um cinema antigo (lindo, diga-se de passagem, com seus tapetes vermelhos e forração de madeira) cheio de mulheres. Isso mesmo, ontem a noite era para o sexo feminino. Todo mês o Pathé faz uma noite só pra elas. Prosecco e macarons rolaram soltos.  Além disso eles distribuíram uns mimos fofos, como uma sacola cheia de brindes, cremes, revistas e no final da sessão rolou até coca cola do Karl Lagerfeld. O filme era bobinho, mas divertido. Alias, numa sala enorme, lotada de mulheres, dar risada da risada alheia é o minimo. Algumas pessoas me disseram que ontem era o dia do amor. Bom, foi uma boa comemoração.

http://youtu.be/eK68Y3oMEk8

Sacolinha mimo do Páthe Ladies Night
Sacolinha mimo do Páthe Ladies Night

 

Dance for love

Experiências, sensações, sentido. Philippine Bausch, mais conhecida como Pina Bausch, iniciou os estudos em dança aos 15 anos. Sentia a dança, e fazia dela a própria vida. Rompeu com todas as formas convencionais, contava histórias em suas coreografias mágicas e tinha nos seus atores-dançarinos o espelho condutor de sua obra. O filme de Wim Wenders pina é incrivelmente belo, emocionante e precisa, deve, ser visto. Saí do cinema contagiada. Fui pegar a Geraldine, que tinha ficado em um beco ao lado do teatro, e espero que nenhum espectador curioso tenha visto os meus pulos. Só a Geraldine para aguentar os meus impulsos.

Pina Bausch
Pina Bausch

Pathé

Os trailers começaram com Somewhere da Sofia coppola. E a sensação déjà vu foi instantânea. Um par de meses atrás, fui, debaixo de neve, ver este filme em Chicago. Quando a sessão acabou driblei o lanterninha e entrei em outra sala pra assistir Barney’s Version. Lembro de sentar, pensar em assistir, pensar mais um pouco e desistir. Sai pela entrada e ainda cumprimentei o lanterninha que me olhou com uma cara de desconfiado.
O Pathé é uma rede de cinemas com salas em Rotterdam, The Hague, Eindhoven, Helmond, Groningen, Utrecht e outras tantas cidades da Holanda. São 22 cinemas no total. Algumas salas em Amsterdam ficam em um prédio antigo e belíssimo, no centro da cidade. Escadas enormes com tapetes vermelhos e cadeiras confortáveis. Meu próximo sonho de consumo a ser realizado vai ser a carteira de sócio. Com 18 euros por mês você tem direito a assistir tantos filmes quanto conseguir. Ah, hoje não driblei o lanterninha pra assistir Barney’s Version, que, inclusive, é altamente recomendável.


Cat on a Hot Tin Roof

Nos dias que estive em Chicago, passando por uma banca, vi um daqueles jornais sensacionalistas americanos com Elizabeth Taylor na capa. A foto era recente e deprimente, não podia esperar nada melhor de uma revistinha de quinta. Naquela noite vi Cleópatra pensando o quão indecente a imprensa marrom consegue ser com seus “ídolos”. Meu filme preferido da atriz que começou na telona aos 9 anos de idade é de 1958, dirigido por Richard Brooks. Me lembro de assistir e pensar: Como um casal pode brigar tanto e ser tão sexy ao mesmo tempo? Ai vai minha homenagem.


Elizabeth Taylor by Richard Avedon 1964