Cinema + praia

Ontem fui em Copacabana ver o primeiro filme de Hitchcock,  The Pleasure Garden, de1926. O filme é mudo e a trilha sonora original, de David Cohen, foi executada pela Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem, regida pelo maestro inglês Christopher Austin. Lindo, lindo, lindo e bem na nossa frente. E hoje tem mais: 007 contra o Satânico dr. No. Sábado a festa fica por conta de O Palhaço de Selton Mello e domingo terá a animação Rio. Leve sua canga e vinho. Energia das boas com direito a grito coletivo e suspiros integrados. ps: o telão esta no posto 3, altura da Siqueira Campos.

São Pedro está dançando agora.

 

 
Subia no balcão e dançava. Toda a quinta era isso. Lá pelo meio da noite, alguém dava o sinal. Era só afastar a luminária. E tocava “You know I’m no good”. Quando cheguei em Sampa, elegi o São Paulo de 4 como meu buteco. Quantas noites divertidas, quantos amigos e risadas. Quando fiquei sabendo, hoje, da morte da Amy, a primeira coisa que fiz foi encher um copo de vinho. Em algumas culturas as pessoas bebem o morto. Bom, nesse caso, beber o morto é pouco. Mesmo o mais chato dos chatos, mesmo o cara que detestava as músicas dela, mesmo o padre da Sagrada Familia, se esse não batesse o pé ao ouvir “Back to Black” então não existe salvação.

Jesus, Maria, José e o São Pedro dançando. Agora. E como diria minha amiga Bela: Até o chão.

 

Valentine’s day

O imperador Claudio II proibiu os casamentos em Roma por volta de 197 AD. Soldados solteiros seriam mais devotos à guerra. O amor não valeria nada . Mas Valentim, padre da igreja católica nesta época, pensava diferente e celebrava casamentos secretamente. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Reza a lenda que, enquanto aguardava na prisão, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes de partir, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como “Seu Namorado” ou “De seu Valentim”.

Hoje pegamos as chaves do nosso primeiro apartamento em Amsterdam. A noticia me deixou radiante e para comemorar esse mais que feliz dia dos namorados fiz brigadeiros e vi, junto com os meus colegas de inglês, Romeo and Juliet de 1968. Os suspiros rolaram soltos. China, Japão, Etiópia, Mongolia, Irã, Iraque, chile, Peru… não importa a nacionalidade…  é incrível, mas é isso mesmo, o amor é universal.

Ah, o povo amou os “negrinhos” (no sul do Brasil o brigadeiro tem apelido).

Friends, friends, friends.

Flagra no Chicago History Museum. A Geraldine vai amar esta foto.

Conheci um povo muito do bem ontem. Athena + Stephanie + James = boas risadas. Ah, a Stephanie é uma super fotógrafa. Dá uma espiada nas fotos pra lá de bacanas da guria.

New friends. They’re amazing. Athena + Stephanie + James = Laugh a lot. Ah, Stephanie is a great photographer. Look her website. It’s very nice.

http://stephaniebassos.com/home.html

Festa estranha com gente esquisita… aos meus.

Ele lembrava da festa. E lembrava da garota que, na cozinha, fez comentários sobre canudos pretos. Ela foi na festa porque uma amiga disse que no apê tinha um quarto para alugar, tinha acabado de chegar em São Paulo. Lá pelas tantas, na cozinha, achou estranho que os paulistas tomassem caipirinha com canudos pretos. Nunca tinha visto canudos pretos antes, achou até que combinaria com uma fanta uva.

(exatamente três anos depois).

Adoro esperar alguém que nunca vi antes tomando uma taça de vinho dentro de um museu às oito da noite com um DJ tocando bossa nova num país que ainda me é estranho. As noites de sextas-feiras são assim no Van Gogh Museum. DJ, filmes, performances. Tudo rolando ao mesmo tempo. Marcamos de nos encontrar lá pra aproveitar e ver alguma mostra ou apresentação. O papo foi ótimo e resolvemos jantar em um restaurante Tailandês depois do museu. Enquanto tomávamos uma sopa de cogumelos e frango, Elano olhou pra mim com uma cara de espanto e disse: Tu era a garota do canudo preto!!!!!!!!!!!!!!!

Este post é pra todos os meus amigos que gostam de apresentar amigos. Gui, obrigada por, há três anos atrás, me apresentar a Laura que me mandou ir numa festa muito louca onde conheci a Andréia e o Ricardo na sacada e onde, na cozinha, falei sobre canudos pretos. Déia, obrigada por, dias atrás,  me “reapresentar” via facebook o Elano, dizendo: Tu tem que conhecer um grande amigo que esta morando em Amsterdam!!!! (aposto que tu também não lembrava que ele estava na festa da Tati, né?). Aproveito para agradecer a Ana Catarina que me apresentou a Alice que me conectou com a Joyce que na quarta-feira jantou comigo e trouxe a fofa da Natalia junto. E para completar o agradecimento, vou publicar um vídeo roubado da Patricia Veltri, brasileira que tem um blog incrível e mora na Holanda (http://saianarua.blogspot.com/). Recomendo, depois de ler este post, comer azeitonas com anchovas, abrir uma ceva e abraçar o amigo mais próximo.

O casamento turco

Atrasados, sempre estamos atrasados. Pensei: vou chegar depois da noiva!!! De vestido, meia calça e sapatinhos com lantejoulas subi na Geraldine (sapatinhos sem salto pois não sou tão ousada como as holandesas que, de bicicleta, andam de salto agulha). O Renato estava lindo de terno, cachecol e bicicleta. Era final do dia e a luz ajudava a deixar tudo mais bonito. No caminho para o casamento de Aycan e Sahin Geraldine descobriu que, como o Renato, gosta de ouvir o barulho que as folhas amarelas das árvores (que estão pelo chão nesta época) fazem quando são esmagadas pela roda. Bom, já eu, na segunda curva, resolvi esquecer o penteado que tinha feito, estava escandalosamente estranho mesmo, depois do vento todo que levei rezei pra não chegar na cerimônia parecendo um ninho de passarinho. Quando adentramos no lugar onde seria o casamento uma mocinha veio ao nosso encontro com um tipo de lâmpada de Ali-baba querendo alguma coisa, depois de um tempo entendemos que aquilo ali era uma colônia e que tínhamos que nos perfumar. O cheiro era forte, bem forte. Todos os convidados ficariam com o mesmo cheiro nesta noite. Olhando em frente, no corredor para o salão principal, avistamos uma fila de velhinhas, todas baixinhas, troncudas e vestidas com lenço característico na cabeça. De novo não sabíamos muito bem o que fazer, começamos tentando explicar, em inglês, pra uma das senhoras, que parecia ser a mãe do noivo, que eramos convidados de Sahin. Ela pouco entendeu e chamou um guri que passava. Assim, fomos introduzidos na festa por uma criança de uns 10 anos que fora nosso tradutor. Quando me dei conta onde estava pensei naquele filme “Casamento Grego” lembra? O lugar era grande, com decoração branca e metálica,  pilares de espelhos (vários ladrilhos quadradinhos de espelhos), mesas compridíssimas atrás e algumas poucas mesas redondas para 10 pessoas na frente. Pois foi numa destas mesas redondas que sentamos eu e Renato, três holandeses, um casal de turcos e um indiano. Éramos VIPs.

FLASHBACK (Em homenagem ao Hugo que, como ninguém, sabe contar histórias com flashback): dias antes olhei uma notícia curiosa na internet. No domingo próximo milhares de casais iam oficializar seu relacionamento. Segundo nosso amigo Google, o dia 10 de outubro de 2010 (10/10/10) é conhecido como “shi quan shi mei”, ou “perfeito em todas as maneiras” e este tipo de combinação numérica só acontece 12 vezes por século. Daí a superstição de que casar neste dia traria sorte. Pensei que tudo era uma grande viagem e que eu não conhecia ninguém que iria se casar neste dia…

Quando os noivos chegaram no salão todos bateram palmas. A noiva estava com um véu na cabeça que cobria o rosto todo e uma espécie de cinto vermelho no ventre. O noivo estava de branco e parecia bem nervoso. O casal foi para o meio do salão, ele tirou o véu dela com cuidado e deu um beijo na sua testa. Um homem pegou o microfone e começou a falar (nesta hora acho que só a nossa mesa não entendeu nada, excetuando o casal turco). Depois de um tempo eles começaram a dançar e as pessoas foram se aproximando até virar uma roda com os noivos dentro e o som das palmas e dos gritinhos de alegria tomaram conta da festa. A predominância de mulheres na roda era nítida. Elas que fizeram a festa acontecer. Só os homens jovens dançavam, os mais velhos ficavam sentados com cara de Poderoso chefão. É claro que não tive dúvida e fui pra roda dançar também. A dança das mulheres turcas é uma dança de ombros, mãos, braços. Eu olhava e tentava imitar. Algumas das senhoras olhavam pra mim com satisfação e eu entendi que estava conseguindo acompanhá-las. O Renato, ao contrário, disse que eu rebolava demais. Bom, pra quem veio da terra do samba nada mais normal. Chamei o pessoal da mesa e as holandesas e o indiano vieram. Foi muito engraçado. Alias, o Indiano estava sentado ao meu lado durante a festa e fazia caras e bocas para todos aqueles rituais, divertidíssimo. Foi ele quem me disse que a noiva tinha 17 anos, dez menos que o noivo. Perguntei onde eles se conheceram e ele disse que, provavelmente, as familias eram amigas de longa data. Eles realmente pareciam se amar. A festa corria solta e me dei conta de que quando chegamos as mesas estavam praticamente vazias (e eram muitas) e que agora estava tudo tomado de gente. Fiquei pensando que no fim todo o casamento é parecido, exceto alguns rituais e peculiaridades de cada cultura. Sempre tem as tias sentadas, os jovens dançando, as bençãos, as crianças correndo e tentando estragar o bolo (este, em particular, tinha umas pontes e o tradicional casal de noivinhos). A idéia é sempre a mesma: juntar quem você mais gosta num mesmo lugar pra festejar a união, a amizade, a familia. Detalhe: sem bebida alcoólica. Pois é, toda esta folia (eles não pararam de dançar um minuto, praticamente) regada a água e refrigerante. Segundo me explicaram, tomar bebidas alcoólicas no dia do casamento atrai o azar. No fim, um pouco antes de irmos embora, uma fila se formou para que os parentes pudessem dar seus presentes e seus abraços nos noivos. Saímos de mansinho e rimos das crianças que, depois de tanto tentar, conseguiram acionar o alarme de incêndio.

Escrito em 10/10/10, antes da meia noite.