casa

Depois de sete anos morando fora, chego ao Rio de Janeiro no fim de dezembro, em pleno verão. Em casa, as paredes e os móveis se escondem sob uma camada de bolor. Não fossem as rotas verdes traçadas pelos musgos, eu diria que o intervalo que separa a partida do retorno não existiu. O cheiro forte quase me expulsa, mas persisto, e entro. Deixo as malas no corredor e abro a janela, minha grande janela de vidro, esquadrias em madeira, pintadas de branco. Um bafo me envolve o rosto, não há vestígio de brisa. Gotas de suor me atravessam os poros em ritmo acelerado, rompem a barreira da pele, escorrendo por todo o corpo, deixando-me encharcada. Há anos eu não suava assim. Há anos eu não sentia a roupa colando ao corpo, como embaixo de um temporal. Finalmente, e sem demora, entendo por que voltei. Meu corpo entende, o mesmo corpo que sempre protestou contra o ar ríspido da Europa com pernas ressecadas, cabelos em textura de palha, náuseas, tonturas, dificuldade de respiração. Suado, ele se reconhece. Muito antes do que eu imaginava, meu sangue desperta, atiçado pelo mês de dezembro. Então percebo, sentada no sofá umedecido pelo suor, por que voltei: porque aqui, no Rio de janeiro, meu corpo se sente em casa.

Tatiana Salem Levy é escritora e tradutora.

O avião já descia quando comecei a ler o último texto do livro que levei comigo para uma viagem necessária e bonita para o sul do sul do país. Olhei de relance o Rio de Janeiro, de cima, pela janela do avião. 35 graus avisa o piloto. A moça ao meu lado é uruguaia, pensei. Uma criança chorava e os gritos lembravam o som de uma engrenagem de roda gigante de cidade pequena… Teoria para a alegria carioca II: a tristeza sai pelos poros. Alguns textos, algumas palavras, chegam na hora exata que devem chegar. Isso sempre aconteceu. Pelo menos, acontece comigo. Já no táxi, o motorista pergunta, de certo por conta do meu olhar perdido de alegria: há quando tempo a senhora mora aqui?

a vida toda.

Panorama 2012/Vivo Open Air/Jóquei Clube

Final de semana com poemas de Rodrigo Garcia, filme na tela gigante do Vivo Open Air e uma corrida de cavalos. Meu cavalo, “good love”, ganhou!!!!

No panorama 2012, a performance no Parque lage, na grama, foi surreal. World of interiors é uma performance/instalação que confronta o público com uma imagem inquietante: pessoas deitadas no chão, de olhos fechados, supostamente imóveis. O público, que pode entrar no espetáculo e sair dele quando quiser, precisa se aproximar dos performers para partilhar de seu mundo interior e ouvi-los sussurrar textos do dramaturgo Rodrigo Garcia. A criação é de dois atores portugueses, Ana Borralho e João Galante.

Fotos, fotos, fotos.

A exposição Coleção Itaú de Fotografia Brasileira esta linda. Fui conferir a abertura da mostra ontem no Paço Imperial que, alias, é um magnífico casarão que fica no centro do Rio. Com curadoria de Eder Chiodetto, o recorte contemporâneo de obras que o Itaú vem colecionando ao longo de 60 anos vale a pena ser conferido. Clique aqui e veja como chegar!

o meu, o seu, o nosso Fellini.

A exposição sobre Fellini, sua obra, vida e genialidade, foi prorrogada no Instituto Moreira Salles. O que tu tá esperando? Um convite? Alguém que te leve? Uma coincidência? Pois bem, escolha sua história e corra!!! Imperdível. Pena que minhas amigas Burle Carpas não estão na fonte. Desconfio que elas foram parar em Roma.. É bobo, é clichê, mas ainda vou arrumar um moço e um gato picolo i bianco que topem fazer a cena da Fontana no melhor estilo Anita Ekberg.

Curiosidades: A cena de strip-tease e mesmo a da Fontana di Trevi de La Dolce Vita foram inspiradas em acontecimento reais muito bem fotografados por Paparazzos (e lá vem o Federico inventando nomes) na louca Roma do final dos anos 50.

http://youtu.be/5gAvsKcUfBs

Light painting

Foto feita pela agência Gringo na campanha da Absolut Glimmer
Foto feita pela agência Gringo na campanha da Absolut Glimmer

Em dezembro fui numa mostra muito bacana aqui no Rio chamada Tocayo. Coletivo que reuniu vários artistas em performances, oficinas, cinema, exposições e shows em um galpão no centro da cidade. Fora as reformas,  que pipocam pela cidade e chegaram a atrapalhar um pouco o acesso ao evento, as 12 horas de programação non stop foram bem vindas e recheadas de coisas bacanas, como sessão de cinema, circo e poesia. Alias, acho que pouca gente reparou, mas adorei os horários marcados para o começo das atividades, 16h16, 19h19, 22h22 e por assim ia. A primeira vez que me deparei com horários quebrados foi numa estação de trem em Asmterdam. Lá as saídas de trem são todas quebradinhas, mas funcionam que uma beleza. Nem pense em chegar na corrida pra pegar um trem depois do horário definido, do tipo: 13h49. Bom, mas uma das coisas que mais gostei, além de assistir uns curtas antigos feitos aqui no Rio, foi uma oficina de Light painting.  A técnica que basicamente consiste em fazer figuras com uma câmera fotográfica utilizando fontes de luz me cativou. Fotos com desenhos inusitados ou aleatórios fizeram sucesso num stand que, senão me engano, era patrocinado pelo Itaú. Segundo Marcio Isensee, idealizador e produtor do evento que começou junto com alguns amigos  mostrando seus trabalhos em 2004, “toda a arte é bem vinda” ou “tudo junto misturado” são bons slogans para o Tocayo.

Confere como ficou a exposição do Coletivo Muda . Tem fotos bacanas do evento no blog do Henrique Madeira e light painting também.

Ps: O coletivo Muda me fez perceber que estou com uma obsessão por azulejos. Saco a câmera pra todos que vejo, acho que é o Rio querendo me dizer algo.

A Geraldine quer uma foto assim!!!
A Geraldine quer uma foto assim!!!
The picture never knows - Foto do Tocayo 2011
The picture never knows - Foto do Tocayo 2011

Ao redor e além

Para conhecer uma cidade é preciso se perder nela. Não adianta. Você pode ter os mapas, GPS e todos os Itudo destes tempos on line, mas o melhor mesmo é seguir o instinto e sair andando. Sempre desconfio de pessoas que tem tudo planejado e mapeado. Em viagens, este tipo de pessoa, por exemplo, tem até a parada para o xixi na agenda, como se o organismo fizesse parte de um compromisso. Uma cidade é como uma música, quanto mais se canta, mais se ouve, mais se conhece e ela acaba se tornando parte da sua vida, ou você da dela. Comece olhando pro lado, pra sua rua, para o seu entorno e os primeiros acordes vão aparecer.

 

Sartorialist

Eu amo o Sartorialist. Fotografia e moda. Um arraso. E agora em nova deliciosa versão. A ideia do blog é mostrar o mundo da moda, mas numa versão dia-a-dia. Tipo, ele viaja por vários lugares do mundo e fotografa pessoas na rua. Uma coisa bem displicente, casual e de bom gosto/olho. Scott Schuman esteve estes dias por Amsterdam, mas não tive o prazer de cruzar com ele pelos canais. Estava para publicar este video ha tempos. Mas só lembrei agora, com o calor lá fora, as pessoas com suas roupas coloridas e a geraldine com flores na cestinha.

 

 

By Scott Shuman in NY
By Scott Shuman in NY

 

Linda é Londres e The Who que sabia das coisas

Londres é uma cidade curiosa. Com um passe de transporte publico cruzamos ela. Entrávamos no ônibus sem saber onde ele ia dar. E não é que dava no lugar onde queríamos chegar. Tudo se interliga. Tudo se transforma. Em Candem, com a Isa, amiga dos tempos de Lost, tomamos uns chops pelos Pubs e fiquei sem voz.  No Globe Shakespeare , ingressos esgotados; e lá vou eu entrar escondida no meio de um bando de adolescentes escolares pra fotografar o palco que sonhava em conhecer quando fazia teatro. O Tate Modern é legal, mas prefiro o Stedelijk museum. Andamos pelas ruas buscando prédios que se escondiam entre outros. E nos perdemos. Não vi os guardas da rainha, não fui na Abbey Road e não tomei o chá das cinco. Mas descobri, claro que por acaso, depois de descer do busao num bairro que não tenho a minima ideia de qual seja, um bar incrível recém inaugurado. The Rylston, 197 Lillie Road. A dona, uma australiana simpática, perguntou o que a gente estava fazendo ali… era obvio que não fazíamos parte da fauna. Ao sol, tomamos uma breja gelada vendo os londrinos assistindo Wimbledon. Recheado de fotografias dos Stones, da Marylin e do monstro Clint Eastwood. Linda Mccartney na cabeça.

Jimi Hendrix Experience in London, 1967 - by Linda Maccartney.

E The Who que sabia das coisas.

http://www.youtube.com/watch?v=5Ag7rG8obkI&NR=1&feature=fvwp

I love my bike – o livro.

Passando pelo Tate Modern em Londres esta semana me deparei com um livro de fotografias perfeito para a Geraldine.
I love my bike de Mathew Finkle e Brittain Sullivan é  recheado de historias e fotos de pessoas apaixonadas pelas suas bicicletas. O casal fotografou amigos e desconhecidos em suas bicicletas pelos Estados Unidos. Cada figura. Altamente recomendável.

World Press Photo 2011.

Luta livre entre as "Cholitas" na Bolivia - By Daniele Tamagni
Luta livre entre as "Cholitas" na Bolivia - By Daniele Tamagni

Uma mulher afegã desfigurada, vulcão em erupção, terremotos, maremotos, festas, flagras e o céu não é o limite. O World Press Photo 2011 está absurdamente chocante e maravilhoso. Em Amsterdam a exposição esta na Oude Kerk – igreja medieval de 1300 bem no centro do Red Light District (o que se torna uma viagem, pois o distrito vermelho abriga o mundo das prostitutas e dos souvenirs pornôs). O melhor do fotojornalismo numa exposição que esta rodando o mundo. As imagens realmente impressionam. Russia, México, Japão, Portugal, Canadá… e vai passar pelo Brasil – abertura em 17 de maio – Caixa Cultural do Rio.

No deserto, depois de passar a noite fugindo da Somália - by Ed Ou.