Bom fim, Vila Madalena… Jordaan.

Geraldine e sua cestinha, toda toda ao lado do cantor folk.

O bairro mais cool de Amsterdam é o Jordaan. Este distrito conhecido como “nove ruas” que passa pelos canais Singel e Prinsengracht (onde fica a casa de Anne Frank) é repleto de lojas e praças pra lá de interessantes. Muitos artistas, músicos e intelectuais residem nesta área. Bohemia, galerias, restaurantes… Inclusive, descobri que Rembrandt também viveu na região. As ruas são realmente lindas e calmas. Lembra muito o Bom Fim em Porto Alegre e a Vila Madalena em São paulo, dois lugares que tive o prazer de morar.  A Geraldine não aguentou e pediu uma foto ao lado da estatueta de Johnny Jordaan (pseudônimo para Johannes Hendricus Van Musscher, cantor folk que cantarolava pelas ruas do distrito).

The coolest neighborhood of Amsterdam is the Jordaan. This district known as the “nine streets” that passes through the canals Singel and Prinsengracht (where is the house of Anne Frank) is filled with shops and squares of interesting over there. Many artists, musicians and intellectuals living in this area. Bohemia, galleries, restaurants … Also, I discovered that Rembrandt lived in region. The streets are really beautiful and peaceful. Been very Bom Fim in Porto Alegre and Vila Madalena in São Paulo, two places that have had the pleasure of living. The Geraldine asked for a photo beside the statue of Johnny Jordaan (pseudonym for Johannes Van Hendricus Musschia, folk singer who sang in the streets of the district).


Final de semana de história e moda…

Depois das bolsas foi a vez das roupas. O Amsterdams Historisch Museum está com uma exposição sensacional sobre moda. A’DAM – Man & Mode vai até final de janeiro e conta um pouco da história da moda masculina e da evolução das roupas na cidade. Muito bacana. Ai vai o link do blog: http://adam.ahm.nl/

Fiquei com vontade de voltar. O Museu é grande e tem uns cantinhos ótimos. Cantinhos mesmo. O meu preferido é a replica do famoso Café ‘t Mandje. Considerado o primeiro bar gay da cidade foi aberto em 1927 por Bet Van Beeren. Colorido, cheio de posters de estrelas de cinema, fotos, bonecas. O visual do lugar é um espetáculo e lembrou a casa da minha vó que era bem assim, cheia de vida. http://www.ahm.nl/

The Amsterdams Historisch Museum is having a sensational exhibition about fashion. A’dam – Man & Mode runs until late January and has a bit of fashion history and evolution of male clothing in the city. Very cool. I was willing to return. The museum is great. My favorite corner is a replica of the famous Café ‘t Mandji. Considered the first gay bar here opened in 1927 by Beth Van Beeren. Colorful, full of posters of movie stars, pictures, dolls. The place is a visual spectacle and reminded the house of my grandmother who was quite so full of life. There goes the link to the blog: http://adam.ahm.nl/

Bolsas pra que te quero…Museum of Bags and Purses.

Fui ouvindo um burburinho. Eram risadas, gritinhos, gargalhadas até. Pensei que no alto da escadaria iria encontrar adolescentes gritando por uma Gucci. Qual foi minha surpresa quando vi que o alvoroço todo vinha de um grupo de senhoras, todas elegantérrimas, tomando chá e se preparando para uma visita guiada ao Museum of Bags and Purses. Não tive dúvida. Segui as moçoilas. Elas eram francesas e extremamente belas. Assim também são as bolsas do museu, belíssimas. Prada, Fendi, Pierre Cardin, Christian Lacroix, Chanel, Louis Vuitton, Cartier, Armani… as Yes Saint Laurent dos anos 80 são incríveis. O majestoso prédio fica em um dos famosos canais de Amsterdam (Herengracht 573) e conta a história das bolsas e sua evolução.

I’ve been hearing a buzz. They were laughing, squealing, laughing even. I thought the top of the staircase would find teenagers screaming for a Gucci. Imagine my surprise when I saw all the commotion came from a group of ladies, all chic, drinking tea and getting ready for a guided tour of the Museum of Bags and Purses. I had no doubt. I followed the ladies. They were French and extremely beautiful. So are the bags of the museum, gorgeous. Prada, Fendi, Pierre Cardin, Christian Lacroix, Chanel, Louis Vuitton, Cartier, Armani … the Saint Laurent of 80 years are amazing. The majestic building is one of the famous canals of Amsterdam (Herengracht 573) and tells the story of scholarships and their evolution.

Vou-me embora pra Pasárgada… Hermitage Museum.

O poema de Manuel Bandeira era declamado quase toda a semana pela Yara, minha antiga colega de trabalho. Riamos muito quando ela, inspirada, levantava da cadeira, puxava a respiração e começava… “Vou-me embora pra Pasárgada; Lá sou amigo do rei; Lá tenho a mulher que eu quero; Na cama que escolherei”. Era uma belezura. Pois sábado fui no Hermitage museum e quase gritei quando me dei conta que o rei do poema era Alexandre – O Grande. Sim, ele conquistou Pasárgada e muitas outras cidades criando um grande império. A exposição sobre ele está ótima e vai até 18 de março de 2011. Entre moedas, pinturas e estátuas descobri que Heracles (Hércules, para os íntimos) fez os dozes trabalhos porque matou a mulher e os filhos. Alexandre era fá deste semi-deus. Também descobri que o grande amor do imperador era um homem, Heféstion. Ele foi vice-comandante de suas tropas. Alexandre contribuiu, e muito, para a difusão da cultura grega. Do Egito à Pérsia. Suas conquistas aproximaram Ocidente e Oriente, dando origem a uma nova cultura, a helenística, resultado da mistura das culturas ocidental e oriental. Um grande guerreiro que se inspirou em Alexandre foi Júlio César. Sempre pensei nessa ligação e, claro, descobri isso lendo Asterix e Obelix. (Ah, agradecimentos especiais ao Elano que me apresentou o museu e aguentou os meus comentários óbvios…rsrs).

Alexandre - O Grande.

http://www.hermitage.nl/en/

Não tenha medo Anne Frank.

Sabe medo? Tem gente que tem medo de bicho, tem gente que tem medo de gente, tem gente que tem medo de ter medo. Eu tenho muitos medos, mas depois que visitei a casa onde Anne Frank, uma menina de 13 anos, se escondeu dos nazistas durante a segunda guerra mundial, meu medo mudou. Poderia até dizer que meu medo melhorou, se é que isso é possivel. O anexo secreto, como ficaram conhecidos os pequenos cômodos mal iluminados em que viviam o pai, a mãe e a irmã de Anne Frank, fica na Prinsengracht 267 e hoje é um museu.

No mês de julho de 1942, a família Frank recebeu a notícia de que seria obrigada a se mudar para um campo de trabalhos forçados. Eles já haviam driblado o regime nazista se mudando para Holanda anos antes. Para fugir desse destino, a família transferiu-se para um esconderijo no prédio onde funcionava o escritorio do pai de Anne. Para que ficasse a impressão de que haviam fugido apressadamente, Anne e seus familiares deixaram o apartamento todo desarrumado. Além disso, o pai de Anne fez um bilhete, como uma pista falsa, dizendo que estava indo para a suíça. O prédio comercial onde Anne e sua família se esconderam por mais de dois anos tinha dois andares, com escritórios, um moinho e depósitos de grãos. O lugar consistia em alguns cômodos num anexo que ficava nos fundos do prédio.

Para disfarçar o esconderijo, uma estante de livros foi colocada na frente da porta que dava para o anexo. Na montagem do refúgio, Otto Frank, pai de Anne, contou com a ajuda de funcionários de sua confiança que davam suporte para a familia e noticias da evolução da guerra. Fico imaginando como é viver por tanto tempo no silêncio absoluto, escondida, com medo de ser presa a qualquer momento. Pois foi durante esse período da vida que Anne Frank, entre seus 13 e 14 anos, escreveu seus pensamentos, angustias e medos em um caderno. Hoje, O Diário de Anne Frank já foi traduzido para 68 linguas e vendeu mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo.

Na manhã de 4 de agosto de 1944 a policia alemã invadiu o esconderijo guiados por um informante anônimo que nunca foi descoberto. A familia é deportada. Em 1945 Anne Frank morre de tifo em um campo de concentração, ela tinha apenas 15 anos. O único sobrevivente, seu pai, decidiu tornar publico o comovente relato de sua filha perante o terror nazista. O medo de ser descoberta, as fotos, as paredes, os rascunhos, tudo me impressionou profundamente. Gostaria que a menina de olhar meigo que sonhava em ser escritora tivesse vivido para ver que sua obra se transformou em um dos maiores símbolos contra o nazismo.

Torre que Anne Frank conseguia ver de seu esconderijo, fica bem ao lado do museu. Esta torre acabou se tornando, para mim, um ponto de referência. Sempre que estou perdida olho pra cima pra ver se ela esta por perto...

http://www.annefrank.org/