Parque Lage

Acho que já mencionei o Parque Lage aqui no blog, mas com o passeio que fiz ontem, penso que o lugar, que data de 1811, merece um post pra chamar de seu. Aos pés do morro do Corcovado, os 52 hectares de natureza exuberante, ao longo destes dois séculos, passaram pelas mãos de alguns magnatas. Em 1920, o parque é re-adquirido por Henrique Lage, neto de Antônio Martins Lage, antigo proprietário e tem sua reforma encabeçada pelo arquiteto italiano Mario Vodret. Já a esposa de Henrique, Gabriela Bezanzoni (que não era ruiva*) dava o tom musical  e social à mansão, convidando a elite carioca para suas festas e saraus – a moçoila era cantora Lírica. Uma boa surpresa foi descobrir que a escritora Marina Colasanti morou por ali, pois é sobrinha neta de Gabriela. Em meados dos anos 60 a propriedade foi desapropriada e convertida em parque público, hoje, no palácio, funciona a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Alias, a exposição “Para o silêncio das Plantas” de João Modé, que vai até 11 de março, vale a pena ser visitada. O projeto propõe uma intervenção com trilhas no meio do mato e música tocando intercaladas com o silêncio.

* Ano passado tive o prazer de explorar um pouco do parque com grandes amigas. Após descobrir a história de amor entre Henrique e Gabriela, ficamos elaborando várias conspirações românticas e tínhamos aquela certeza absoluta, aquela que só quem tem são os amantes de mistérios descabidos, histórias em quadrinhos e filmes do Hitchcock, que a cantora lírica era ruiva. Uma das histórias que descobri é que depois que casou, Gabriela não cantou mais em público. Só pra ele?

Pixar do Parque Lage
Pixar do Parque Lage
As trilhas de João Modé
As trilhas de João Modé

 

 

 

Thomas Stevens foi o cara

Nestes tempos de bike lovers e muitos modismos, lembrei do originalíssimo amante da  Geraldine, Thomas Stevens. Imagina viajar de São Franscisco (EUA) até Tókio levando duas cuecas, duas meias e a roupa do corpo. Bom, a maioria das pessoas que eu conheço, mesmo para ir até a esquina, carregam um mala cheia de tranqueiras. Então imagina que esta viagem around the world foi feita em cima de uma bicicleta e lá pelos anos 1800 e tantos. Barbaridade, diriam alguns, maluquice diriam outros, amor diriam tantos. E tem livro sobre a viagem!!!!!

 

Dobre a próxima à direita.

Uma das pessoas com mais paz de espírito que tive o prazer de conhecer foi o seu Roberto. Acredito que era por conta dessa quietude de alma que ele, generoso do jeito que era, fazia Reiki nas pessoas. Me lembro de um dia o Seu Roberto olhar pra mim com um sorriso e responder ao que eu estava pensando. “Renata, se o teu corpo pede para dobrar à direita então dobre. Se o teu instinto diz pra fazer ou não tal coisa, ouça. O corpo e a mente são sábios.” Foi depois dessa conversa que comecei a perceber o quanto é importante escutar a ti mesmo. Tempos mais tarde, entrava em um ônibus rumo à capital, com duas malas a tira colo. Lembro de um dos meus melhores amigos de infância, o Ronaldo, me levando na rodoviária e dizendo com aquele jeito engraçado que só ele sabe: “tu tá parecendo uma retirante”. Lembrei muito disso hoje, ao pensar em todas as cidades, pessoas, lugares, empregos e vida que tive nestes últimos anos. No dicionário retirante quer dizer – pessoa que foge da seca – de certa forma eu sou uma retirante no mundo. Não fugi da seca, mas, agora, precisava ver o mar.

Ao redor e além

Para conhecer uma cidade é preciso se perder nela. Não adianta. Você pode ter os mapas, GPS e todos os Itudo destes tempos on line, mas o melhor mesmo é seguir o instinto e sair andando. Sempre desconfio de pessoas que tem tudo planejado e mapeado. Em viagens, este tipo de pessoa, por exemplo, tem até a parada para o xixi na agenda, como se o organismo fizesse parte de um compromisso. Uma cidade é como uma música, quanto mais se canta, mais se ouve, mais se conhece e ela acaba se tornando parte da sua vida, ou você da dela. Comece olhando pro lado, pra sua rua, para o seu entorno e os primeiros acordes vão aparecer.

 

Guaecá

Andando pela areia avistei uma garrafa. Eu, míope, já pensei em uma mensagem antiga, jogada no mar por alguém dos Balcans (que fica perto da Bulgária, terra da minha amiga Valeriya Vasileva e que acabou levando nome Persa, e ai vou lembrar da Azadeh Karimzadeh, que tem os olhos mais lindos do mundo). Fiquei pensando que sempre quis conhecer o mar negro. Mas nada de mensagem pacificadora ou amorosa dentro do vidro. A garrafa, fechada, dava moradia a crustáceos bem bonitinhos, que ficaram meio alheios quando peguei a garrafa e joguei de volta pro mar.

Atravessei a praia pensando: o que será, será! E o vento soprou.

 

 

Star bike

 

Bichinhos de pelúcia, bicicletas em miniatura, acentos que parecem ser antigas cadeiras de cabeleireiro e a sensação de estar na loja certa para alugar uma bicicleta. Mesmo com chuva, mesmo pensando molhado. Fica a dica da Helga Vaz: Star bike. Melhor lugar ever para alugar uma bicicleta em Amsterdam. Barato, legal e do lado da Central Station. Ah, lá dá pra comer um Panini e tomar um café também. Vintage and funny.

 

 

 

 

OBA, OBA e OBA!

Se tem um lugar que eu amo em Amsterdam é a biblioteca central (OBA). O lugar é um negócio de louco. Vários andares recheados de livros, filmes, Cds, internet e computadores free. Foi ali que gastei meus primeiros dias em Amsterdam, há quase um ano atrás… E como foram bem gastos. Me lembro de, naquela primeira semana, ouvir, sempre por volta do meio-dia, uma velhinha cantando e tocando Edith Piaf no hall. Pois é lá que eu paro as vezes, encantada com o piano e com os músicos passantes que dão sua palhinha. O segundo andar dá arrepios. Filmes, filmes e mais filmes. Hoje fui lá alugar um, agora, com a carteirinha de membro, toda orgulhosa. Com o filme escolhido na mão, fui pedir informação sobre como o esquema funcionava para um senhorzinho que parecia trabalhar no andar. Ele era simpático e ficou um tempão brigando com o mecanismo que destravava a caixa do DVD. Mais tarde, quando fomos pagar o euro que é cobrado (só cobram para os filmes, e acreditem, vale a pena), a moedinha se recusava e escapulia da máquina. Então, ele, com uma cara de sapeca, pegou a moeda, passou no cabelo, esfregou, deu uma sopradinha e em segundos a danada foi que foi pra dentro da engenhoca. Ele me olhou e disse: “depois das cinco também fazemos mágica.” Sempre que vou lá, meu humor melhora. Descobri que não é só o lugar que me deixa feliz, são também as pessoas.  http://www.oba.nl/

As flores não falam, mas que cores.

Venha para a Holanda na primavera. Sim, na primavera. Alias, venha para a Europa na primavera. É tudo tão colorido e vivido. Fomos visitar Keukenhof ontem. Alugamos um carro, mas você pode pegar um trem até Leiden e depois um ônibus normal até o parque de flores que fica aberto até 20 de maio. Jardins e mais jardins cuidadosamente desenhados desde de 1949. Mais de 7 milhões de bulbos e a sensação de conto de fadas.
http://www.keukenhof.nl/en/