Not so free…

O tour saia às 11h, da Dam Square. O passeio guiado por Amsterdam seria em inglês e pensei que era uma boa para treinar meu ouvido. A caminhada era para ser grátis, mas chegando lá vimos que não era bem assim. Uns 5 daqui, uns 10 dali… – hum, nem tão “free” assim. Além disso, o guia tava com uma cara de dar pena. Também, não deve ser fácil ficar falando pra um monte de turistas, por três horas, a mesma coisa, todos os dias. Aí, alguém brincou de guia, outro disse que conhecia uma igreja não sei das quantas e a coisa foi pegando forma. Acabamos num grupo de umas 15 personas (a maioria espanhóis, com exceção de um casal búlgaro). O mais legal foi que cada um sabia alguma coisa da cidade, foi o tour guiado/não guiado mais divertido que já fiz. Saímos caminhando meio sem paradeiro e acabamos todos num templo budista.

 

 

A janela.

Primeira noite de volta a Amsterdam. Indo pro mercado, no novo bairro, o Renato me puxou atravessando a rua, já sabendo que eu ia gostar do que iria ver. Bibelos, pratinhos, ursos, pássaros brancos, gnomos, porcelanas estranhas, plantas. A cozinha do casal de velhinhos fica de frente pra rua, com seus temperos e sua fauna e flora expostas. Adorei os novos vizinhos. E, hoje, voltando do mercado, tinha mais um ser interessado na janela…

High fidelity.

Comprei o livro do Nick Hornby uns dois anos atrás na Livraria Cultura em Sampa. Não sei se meu inglês tava muito ruim ou se meu saco tava muito cheio, comecei a ler umas dez mil vezes e nunca terminei. Mas, detalhe, sempre levei ele comigo, juntinho. Pois nesta terça comecei a reler e me empolguei. As vezes me parece que as coisas tem hora e local pra acontecer. Muitos anos atrás, quando eu trabalhava numa videolocadora em Porto Alegre, ganhei o cartaz do filme baseado no livro do Hornby. Só que ao invés de Londres, como no livro, o filme se passa nos EUA. Até ai eu lembrava, mas o que eu não lembrava é que as cenas foram rodadas em Chicago. Bom, cá estou eu em Chicago e hoje, saindo da Yoga, num estúdio que nunca tinha ido e que é totalmente contra  mão de casa, o que eu encontro? A loja de discos onde foi gravado o filme. Sério, entrei emocionada no lugar, com aquele silêncio respeitoso de quando se é criança e se entra pela primeira vez em uma igreja. Cada vez me dou mais conta de que quando algo fica na tua cabeça, no teu pensamento, por um bom tempo, as conexões acontecem. Claro que é preciso estar atento a elas.  Reckless Records – 1532 na Milwaukee Ave. Milhares e milhares de Vinis e a vontade de levar um monte deles pra casa.

I bought the Nick Hornby’s book there was two years in Livraria Cultura in São Paulo. I don’t know if my English was bad or if my patience was full, but I  started read the book a thousand times and never finished. But, there is a detail; I always brought the book with me. So, in this Tuesday I began the book one more time. Sometimes the things happens in your own time. Many years ago, I won the movie poster based on the book’s Hornby. The film takes in USA, different from the book that takes place in London. Until then I remembered but I did not remember that the scenes were shot in Chicago. And now, I’m in Chicago. And today, get out the Yoga studio and what I meet??? The place where the movie was filmed. This is so great. More and more I realize if one thing stay in your mind e you think about this for a long time and strongly, the thing happens.  Sure it’s necessary give attention to this.  Reckless Records – 1532, Milwaukee Ave.  Thousands and thousands of vinyls, and desire of bring many them to home.

Cena do filme na Reckless Records - Chicago

Bom fim, Vila Madalena… Jordaan.

Geraldine e sua cestinha, toda toda ao lado do cantor folk.

O bairro mais cool de Amsterdam é o Jordaan. Este distrito conhecido como “nove ruas” que passa pelos canais Singel e Prinsengracht (onde fica a casa de Anne Frank) é repleto de lojas e praças pra lá de interessantes. Muitos artistas, músicos e intelectuais residem nesta área. Bohemia, galerias, restaurantes… Inclusive, descobri que Rembrandt também viveu na região. As ruas são realmente lindas e calmas. Lembra muito o Bom Fim em Porto Alegre e a Vila Madalena em São paulo, dois lugares que tive o prazer de morar.  A Geraldine não aguentou e pediu uma foto ao lado da estatueta de Johnny Jordaan (pseudônimo para Johannes Hendricus Van Musscher, cantor folk que cantarolava pelas ruas do distrito).

The coolest neighborhood of Amsterdam is the Jordaan. This district known as the “nine streets” that passes through the canals Singel and Prinsengracht (where is the house of Anne Frank) is filled with shops and squares of interesting over there. Many artists, musicians and intellectuals living in this area. Bohemia, galleries, restaurants … Also, I discovered that Rembrandt lived in region. The streets are really beautiful and peaceful. Been very Bom Fim in Porto Alegre and Vila Madalena in São Paulo, two places that have had the pleasure of living. The Geraldine asked for a photo beside the statue of Johnny Jordaan (pseudonym for Johannes Van Hendricus Musschia, folk singer who sang in the streets of the district).


La Place

Amigos espanhóis me levaram ao La Place estes dias, fica bem no burburinho do centro e estranhamente ainda não conhecia. Gostei. Colorido, diversificado, e, hum, digamos, preço justo. Salada+sanduba+suco+café por 12 euros. O bom são as várias opções de refeição em um mesmo lugar. Mesas grandes para serem compartilhadas por diversas pessoas e pequenas se você quer, como eu, sentar perto da janela, tomar um chocolate quente e ler um livro. Ps: tem um na biblioteca central e um no aeroporto!!!!

Spanish friends took me to La Place these days, is right in the hubbub of central and strangely did not know yet. I liked it. Colorful, diverse and fair price. Salad + sandwich + juice + coffee for 12 euros. What good are several dining options in one place. Large tables to be shared by different individuals and small if you want, as I sit by the window, take a hot chocolate and read a book. Ps: There is one La Place in Central library and one in Airport.

http://www.laplace.nl/

Art-deco.

Numa esquina, meio escondido, junto de um dos maiores mercados a céu aberto de Amsterdam (Albert Cuyp Market) fica o De Vredespijp. Lindo, lindo, lindo. A loja conceito/café é mágica. Ali você pode tomar um cappuccino e comer um pedaço de bolo ao lado de objetos de desejo de qualquer design. Funcionando desde 1971 o lugar tem três tipos de decoração: Art Nouveau, Art Deco e Amsterdam School. Já a coleção de luminárias inclui lustres e candelabros. O mais engraçado é que a tradução literal do nome do lugar é Cachimbo da Paz. Bom, pra mim, está mais para piteira da Audrey Hepburn em Breakfast at Tiffany’s do que qualquer outra coisa.

In a corner, half hidden along one of the largest outdoor market in Amsterdam (Albert Cuyp Market) is the De Vredespijp. Beautiful, beautiful, beautiful. The concept store / cafe is magical. There you can have a cappuccino and eat a piece of cake next to objects of desire for any designer. Operating since 1971 the place has three types of decoration: Art Nouveau, Art Deco and Amsterdam School. The collection of fixtures includes chandeliers and candelabra. The funny thing is that the literal translation of the name of the place is the Peace Pipe Well, for me, seems more with the cigarette holder that Audrey Hepburn used in Breakfast at Tiffany’s than anything else.

http://www.vredespijp-artdeco.com/

Os licores da travessa…

O lugar mais parece a entrada de um túnel do tempo. “Wijnand Fockink”, sim eu sei, um belo palavrão, mas na verdade é o nome do ‘boteco’ mais antigo de licores do mundo (provavelmente). Data de 1679, é escuro, cheio de garrafas, algumas, possivelmente, de 1600 e tanto. Não duvido que as senhoras que servem o licor sejam tataratataranetas dos tataranetos dos fundadores. Até onde entendi, esta pequena salinha, onde podem ser provados dezenas e dezenas de licores em pequenas tacinhas de vidro que nunca são lavadas (explico este detalhe a seguir), era a sala de degustação de uma antiga destilaria. O lugar continua intacto e fica em uma ruela estreita perto da Dam Square (Pijlsteeg 31, tel: 639 1926 1995). Em cima do balcão de madeira maciça e escura onde são servidos os licores tem um tipo de tonel com água corrente e é lá que as moças do lugar mergulham as tacinhas. Sim, somente na água e é assim há mais de 300 anos, nem se atreva a fazer qualquer comentário sobre vigilância sanitária ou germes. A tradição manda que você vá até a tacinha transbordante e tome o primeiro gole ali mesmo no balcão. O licor de maça é incrível, mas são tantos que nem me atreveria a sugerir o mais mais. Vá no final da tarde, pegue sua taça, pague na hora, vá para a frente do estabelecimento (adoro escrever estabelecimento..rs), sente na mureta e aproveite cada gole porque a noite é uma criança…(esse ditado sempre me pareceu estranho, essa coisa de ‘a noite é uma criança’. Se ela é uma criança dorme cedo e não vê nada, não!?).

O Brechó da Melissa, da linda senhora e do cachorro.

No mesmo dia que reencontrei o The Movies, ao sair do cinema, continuei andando pela rua, que aliás é ótima e com muitas lojas interessantes. É só seguir em direção ao centro da cidade que você vai encontrar lojas de queijos, vinhos, flores, cafés e alguns bons brechós. Fui caminhando e pensando como a vida era boa… dia lindo de sol, ipod no ouvido e pessoas tão bonitas passando por mim (vale dizer que pessoas bonitas pra mim são pessoas reais, com rugas, roupas extravagantes, com seus filhos, seus amigos, e suas risadas), parece que todas elas sorriam secretamente pra mim e diziam: veja só, viu como vale a pena! Parei na frente de uma vitrine e não tive dúvida alguma em sacar a máquina fotográfica (que trago sempre comigo). O que tinha na vitrine? Uma Melissa. Só pra constar, aqui não tem Melissa em todos os lugares e eu como uma boa mulherzinha que sou fui logo entrando. Tudo bem, esse post é meio Sex and the City…rs, mas bem meia boca, já que não gritei porque vi um Christian Louboutin ou algo do gênero. Era um pequeno brechó, entrei e fui cumprimentada por uma senhora linda de cabelos brancos e seu cachorro (porque as jovens senhoras ou mesmo as pessoas de mais idade aqui tem uma beleza inacreditável, com seus cabelos grisalhos/brancos compridos). E o cachorro tinha um olhar tão simpático que quase pedi pra ele me dar a pata, mas como não sei como se diz “dá a patinha!” em holandês fiquei na minha. Roupas lindas, baratas, coloridas. Me segurei pra não sair comprando tudo. Mas que foi um achado foi. Lembrei das minhas amigas que estão espalhadas por ai – ah, parece que dizendo assim elas foram jogadas a revelia no mundo, né..hehe, mas estão espalhadas mesmo, uma em cada canto e uma mais feliz que a outra.  Quando vocês todas vierem me visitar, vamos tomar um chá com a senhora do brechó e até lá já vou saber algumas palavras em holandês pra poder me comunicar com o cachorro, bom, mas não vou ficar surpresa se a gente descobrir que ele é trilingue. hehe. beijocas.