Cinema + praia

Ontem fui em Copacabana ver o primeiro filme de Hitchcock,  The Pleasure Garden, de1926. O filme é mudo e a trilha sonora original, de David Cohen, foi executada pela Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem, regida pelo maestro inglês Christopher Austin. Lindo, lindo, lindo e bem na nossa frente. E hoje tem mais: 007 contra o Satânico dr. No. Sábado a festa fica por conta de O Palhaço de Selton Mello e domingo terá a animação Rio. Leve sua canga e vinho. Energia das boas com direito a grito coletivo e suspiros integrados. ps: o telão esta no posto 3, altura da Siqueira Campos.

o melhor amigo.

Tive um único cachorro na vida. Era um guaipeca bege com cara de desconfiado. Ele gostava de fotos, mas sempre fazia um ar blasé. Lembro que num carnaval me vesti de palhaço (ou seria Ali Babá… não dá pra saber muito bem..rs) e ele fez questão de se posicionar ao meu lado para a fotografia, mas sem muitos sorrisos. Seu nome era para ser Smurf (sim, minha atividade favorita na época era ver desenho animado), mas minha mãe teve dificuldade na pronuncia e por não destravar a língua, adotou um apelido carinhoso para o bicho… MOFE. E assim ficou. Lembro que logo quando ele veio morar em casa sumiu por uma tarde. Mobilizei a vizinhança, chorava e batia pé gritando que queria meu cachorro de volta. Lá foram todos os amigos, irmãos dos amigos, tios, primos procurar o cão da Renata. No fim do dia, exausta por não encontra-lo, fui choramingar na janela da cozinha e descobri o danadinho dormindo atrás da cortina. Não sei bem que fim levou o Mofe. Lembro dele ter se encrencado com o cachorro mais forte da rua, o chefe da matilha. Depois de uma surra com várias mordidas ele sumiu. Desconfio que meu pai fez o que os pais fazem (ou faziam na época) e levou o Mofe pra dar uma volta. Ontem foi dia de São Franscisco, protetor dos bichos e por acaso vi um vídeo que me lembrou o Smurf, digo, Mofe.

Santa paciência

Acabamos reclamando de quase todos os serviços, não é mesmo?! E lá se vão milhares de xingamentos para os seres humanos que falam na língua do gerúndio. A comida chegou fria porque demorou muito, o call center irrita a alma, até viral de fast food italiano vira hit. Os atendentes estão nos nossos sonhos (pesadelos?). Mas vou ter que dar o crédito para, pelo menos, um deles. Liguei para o Uol Host por conta da mudança da Geraldine, que de mala e cuia, daqui um tempo, irá fixar as rodas num domínio novinho em folha. Com gentileza e paciência espantosas, o moço que nunca tinha ouvido minha voz mais fina ou mais desafinada, percebeu que eu não era uma entendida do riscado e me ajudou lindamente. Para ele e todas as pessoas queridas que trabalham ajudando outras pessoas, e com calma, respiração profunda e felicidade fazem a diferença, aí vai o vídeo da Geraldine.

Geraldine

Sinto falta da Geraldine. Não sinto falta do frio. Sinto falta das pedaladas fortes e da segurança que, depois de algum tempo, ela me deu. Ela foi minha grande companheira na terra dos bárbaros. Era ela que me entendia. Acolhia meus pensamentos não deixando que eles caíssem no chão feito sorvete de criança pequena. Com uma mão, errando o pé, na chuva, no gelo… ela não reclamava, eu seguia com minhas imperfeições e ela, no máximo, caia de madura na frente de algum mercadinho. A saudade que eu tenho da minha bicicleta é como a saudade de um amigo que esta longe, mas que por conta do destino, eu sei que nunca mais vou ver.

Ando longe porque estou perto. E o sol lá fora, a samambaia na varanda, o manjericão desfalecido foi pro seu lugar, a Portela é azul, a Lagoa é laranja, o caminho para o mar tem briza, a nova Geraldine vai ser azul, os cachorros e seus donos, as velhinhas, os velhinhos, o motorista de ônibus abre a porta e grita “Vai com Deus”, o outro tem bichinhos de pelúcia no parabrisa, a turma da praça, o amor, a nova irmã e a dança da chuva na recepção de um lugar que poderia ser triste. Tudo indica que as raízes aéreas encontraram terra.