Netherlands Film and Television Academy

O prédio da Netherlands Film and Television Academy é meio modernoso e sempre que eu passava pela frente pensava em entrar. Mas não entrava. Pois esta semana fui “cobrir” a gravação de um comercial sobre Amsterdam e as bicicletas num dos estúdios da NFTA.  A idéia do roteiro me agradou. Turistas, homens, falando com paixão sobre alguém. E no fim esse “alguém” é o meio de transporte mais utilizado em Amsterdam, a grande estrela das ruas, a bicicleta. A Holanda, segundo pesquisas e documentários sobre cidades, comportamento e tráfego, é o país com a maior concentração de bicicletas do mundo. Nada mais justo que fazer uma homenagem às amigas da Geraldine. Quando o comercial ficar pronto mostro em primeira mão.

Nem só de fita crepe vivem os produtores holandeses...reparem no vinho bem de frente pro Tarantino.
Nem só de fita crepe vivem os produtores holandeses...reparem no vinho bem de frente pro Tarantino.
e gravando.

 

A Paris de Van Gogh

A exposição temporária no subsolo do museu Van Gogh em Amsterdam esta brilhante. Como na mostra anterior (Picasso in Paris 1900 – 1907) a idéia é traçar o desenvolvimento do artista, de sua obra e, claro, a influencia da cidade luz nisso tudo. Por exemplo, depois de escanear um dos quadros que Van Gogh pintou entre 1885 e 1888 (período em que morou entre Paris e Antwerp), pode-se ver os telhados de Paris. Dois grandes especialistas, Ella Hendriks e Louis van Tilborgh trabalharam anos neste projeto que fica até o dia 18 de setembro no museu Van Gogh.

 

 

Texto de abertura da exposição Van Gogh in Antwerp and Paris: New perspectives
Texto de abertura da exposição Van Gogh in Antwerp and Paris: New perspectives

 

 

 

 

Vincent van Gogh 

Pathé Ladies Night

Eu amo cinema. E amo ir ao cinema. E vou confessar que adoro ir sozinha. Digo confissão porque muitas das pessoas com quem comento sobre o assunto acham um sacrilégio ir ao cinema sozinho. Uma amiga chegou a me perguntar uma vez: Você não tem vergonha? Fiquei me perguntando do que eu teria vergonha e é óbvio que a resposta foi nula. Bom, mas essa introdução foi só pra dizer que ontem, ao contrário do costume, fui com duas amigas queridas no Pathé Ladies Night. Imagina um cinema antigo (lindo, diga-se de passagem, com seus tapetes vermelhos e forração de madeira) cheio de mulheres. Isso mesmo, ontem a noite era para o sexo feminino. Todo mês o Pathé faz uma noite só pra elas. Prosecco e macarons rolaram soltos.  Além disso eles distribuíram uns mimos fofos, como uma sacola cheia de brindes, cremes, revistas e no final da sessão rolou até coca cola do Karl Lagerfeld. O filme era bobinho, mas divertido. Alias, numa sala enorme, lotada de mulheres, dar risada da risada alheia é o minimo. Algumas pessoas me disseram que ontem era o dia do amor. Bom, foi uma boa comemoração.

http://youtu.be/eK68Y3oMEk8

Sacolinha mimo do Páthe Ladies Night
Sacolinha mimo do Páthe Ladies Night

 

Star bike

 

Bichinhos de pelúcia, bicicletas em miniatura, acentos que parecem ser antigas cadeiras de cabeleireiro e a sensação de estar na loja certa para alugar uma bicicleta. Mesmo com chuva, mesmo pensando molhado. Fica a dica da Helga Vaz: Star bike. Melhor lugar ever para alugar uma bicicleta em Amsterdam. Barato, legal e do lado da Central Station. Ah, lá dá pra comer um Panini e tomar um café também. Vintage and funny.

 

 

 

 

OBA, OBA e OBA!

Se tem um lugar que eu amo em Amsterdam é a biblioteca central (OBA). O lugar é um negócio de louco. Vários andares recheados de livros, filmes, Cds, internet e computadores free. Foi ali que gastei meus primeiros dias em Amsterdam, há quase um ano atrás… E como foram bem gastos. Me lembro de, naquela primeira semana, ouvir, sempre por volta do meio-dia, uma velhinha cantando e tocando Edith Piaf no hall. Pois é lá que eu paro as vezes, encantada com o piano e com os músicos passantes que dão sua palhinha. O segundo andar dá arrepios. Filmes, filmes e mais filmes. Hoje fui lá alugar um, agora, com a carteirinha de membro, toda orgulhosa. Com o filme escolhido na mão, fui pedir informação sobre como o esquema funcionava para um senhorzinho que parecia trabalhar no andar. Ele era simpático e ficou um tempão brigando com o mecanismo que destravava a caixa do DVD. Mais tarde, quando fomos pagar o euro que é cobrado (só cobram para os filmes, e acreditem, vale a pena), a moedinha se recusava e escapulia da máquina. Então, ele, com uma cara de sapeca, pegou a moeda, passou no cabelo, esfregou, deu uma sopradinha e em segundos a danada foi que foi pra dentro da engenhoca. Ele me olhou e disse: “depois das cinco também fazemos mágica.” Sempre que vou lá, meu humor melhora. Descobri que não é só o lugar que me deixa feliz, são também as pessoas.  http://www.oba.nl/

World Press Photo 2011.

Luta livre entre as "Cholitas" na Bolivia - By Daniele Tamagni
Luta livre entre as "Cholitas" na Bolivia - By Daniele Tamagni

Uma mulher afegã desfigurada, vulcão em erupção, terremotos, maremotos, festas, flagras e o céu não é o limite. O World Press Photo 2011 está absurdamente chocante e maravilhoso. Em Amsterdam a exposição esta na Oude Kerk – igreja medieval de 1300 bem no centro do Red Light District (o que se torna uma viagem, pois o distrito vermelho abriga o mundo das prostitutas e dos souvenirs pornôs). O melhor do fotojornalismo numa exposição que esta rodando o mundo. As imagens realmente impressionam. Russia, México, Japão, Portugal, Canadá… e vai passar pelo Brasil – abertura em 17 de maio – Caixa Cultural do Rio.

No deserto, depois de passar a noite fugindo da Somália - by Ed Ou.

 

Pathé

Os trailers começaram com Somewhere da Sofia coppola. E a sensação déjà vu foi instantânea. Um par de meses atrás, fui, debaixo de neve, ver este filme em Chicago. Quando a sessão acabou driblei o lanterninha e entrei em outra sala pra assistir Barney’s Version. Lembro de sentar, pensar em assistir, pensar mais um pouco e desistir. Sai pela entrada e ainda cumprimentei o lanterninha que me olhou com uma cara de desconfiado.
O Pathé é uma rede de cinemas com salas em Rotterdam, The Hague, Eindhoven, Helmond, Groningen, Utrecht e outras tantas cidades da Holanda. São 22 cinemas no total. Algumas salas em Amsterdam ficam em um prédio antigo e belíssimo, no centro da cidade. Escadas enormes com tapetes vermelhos e cadeiras confortáveis. Meu próximo sonho de consumo a ser realizado vai ser a carteira de sócio. Com 18 euros por mês você tem direito a assistir tantos filmes quanto conseguir. Ah, hoje não driblei o lanterninha pra assistir Barney’s Version, que, inclusive, é altamente recomendável.


Paris em 1900 era, definitivamente, uma festa.

Imagina Picasso aos dezenove anos chegando em Paris. Imaginou? Pois é, o espanhol virou a cidade do avesso. No estúdio que alugou em Montmartre passavam escritores, pintores, modelos, e toda a sorte de artistas que viviam na cidade. A exposição Picasso in Paris 1900 _1907 que esta no Van Gogh Museum e vai até 29 de maio traça um pouco da história e da evolução deste cara genial nos primeiros anos de sua vida artística. Muita Boemia, artistas de circo, mulheres, poetas… tudo inspirava e transformava. No final de sete anos, Picasso já era o líder do vanguardismo francês.

Imagine Picasso arriving at nineteen in Paris. Can you imagine? Well, the Spaniard turned the city upside down. In his studio in Montmartre passed writers, painters, models, and all sorts of artists that were living in the city. The exhibition in Van Gogh Museum Picasso in Paris 1900 _1907 outlines some of the history and evolution of this great guy in the first years of his artistic life. Lots of Bohemia, circus, women, poets … all inspired and transformed. At the end of seven years, Picasso was already the leader of the French avant-garde.

Picasso e os telhados de Paris em sua fase azul.

Magic Galaxies

Temos fases. Em tudo. Na leitura, por exemplo, quando adolescente eu gostava de livros de terror. Era um esquema diabólico. Depois pus na cabeça que eu iria ler todos os clássicos, Guimarães Rosa, Flaubert, Jules Verne, Nietzsche… tudo sem muito critério. Mas vou confessar, tenho uma queda perversa por livros de mistério. Não adianta. Os livros de suspense e crimes estão para mim como as novelas para as minhas tias. Carrego junto, leio no busão, no trem, no metro, no banco da praça. Fico autista (tá Bruno, eu sou autista, eu sei…rs). E aqui em Amsterdam o melhor lugar pra encontrar este tipo de literatura é na rua. Sim, na rua. A banquinha da Susie fica na feira de livros da Spuistraat – Spui market . Ela e o Vincent são fãs de livros de ficção científica e fantasia. Eles não tem site, mas você pode mandar um e-mail: magic.galaxies@xs4all.nl – ou ir na feira, que é bem mais interessante.

We have phases, at all. In reading, for example, when I was a teenager I liked scary books. It was a diabolical scheme. After, I put in my head that I would read all the classics, Guimarães Rosa, Flaubert, Jules Verne, Nietzsche … all without much order. But I confess, I have a evil thing about mystery books. The thrillers books for me are like television soap operas for my aunts. I carry along, in bus, train, subway, the park bench. I am autistic when I’m reading. And here, in Amsterdam, the best place to find this kind of literature is on the street. Yes, on the street. The bookshop of Susie is in the Spuistraat – Spui market. She and Vincent are fans of science fiction novels and fantasy. They have no website, but you can send an e-mail: magic.galaxies @ xs4all.nl – or go to the fair, which is much more interesting.

A Susie e sua coleção "Star Wars"

Not so free…

O tour saia às 11h, da Dam Square. O passeio guiado por Amsterdam seria em inglês e pensei que era uma boa para treinar meu ouvido. A caminhada era para ser grátis, mas chegando lá vimos que não era bem assim. Uns 5 daqui, uns 10 dali… – hum, nem tão “free” assim. Além disso, o guia tava com uma cara de dar pena. Também, não deve ser fácil ficar falando pra um monte de turistas, por três horas, a mesma coisa, todos os dias. Aí, alguém brincou de guia, outro disse que conhecia uma igreja não sei das quantas e a coisa foi pegando forma. Acabamos num grupo de umas 15 personas (a maioria espanhóis, com exceção de um casal búlgaro). O mais legal foi que cada um sabia alguma coisa da cidade, foi o tour guiado/não guiado mais divertido que já fiz. Saímos caminhando meio sem paradeiro e acabamos todos num templo budista.