Não tenha medo Anne Frank.

Sabe medo? Tem gente que tem medo de bicho, tem gente que tem medo de gente, tem gente que tem medo de ter medo. Eu tenho muitos medos, mas depois que visitei a casa onde Anne Frank, uma menina de 13 anos, se escondeu dos nazistas durante a segunda guerra mundial, meu medo mudou. Poderia até dizer que meu medo melhorou, se é que isso é possivel. O anexo secreto, como ficaram conhecidos os pequenos cômodos mal iluminados em que viviam o pai, a mãe e a irmã de Anne Frank, fica na Prinsengracht 267 e hoje é um museu.

No mês de julho de 1942, a família Frank recebeu a notícia de que seria obrigada a se mudar para um campo de trabalhos forçados. Eles já haviam driblado o regime nazista se mudando para Holanda anos antes. Para fugir desse destino, a família transferiu-se para um esconderijo no prédio onde funcionava o escritorio do pai de Anne. Para que ficasse a impressão de que haviam fugido apressadamente, Anne e seus familiares deixaram o apartamento todo desarrumado. Além disso, o pai de Anne fez um bilhete, como uma pista falsa, dizendo que estava indo para a suíça. O prédio comercial onde Anne e sua família se esconderam por mais de dois anos tinha dois andares, com escritórios, um moinho e depósitos de grãos. O lugar consistia em alguns cômodos num anexo que ficava nos fundos do prédio.

Para disfarçar o esconderijo, uma estante de livros foi colocada na frente da porta que dava para o anexo. Na montagem do refúgio, Otto Frank, pai de Anne, contou com a ajuda de funcionários de sua confiança que davam suporte para a familia e noticias da evolução da guerra. Fico imaginando como é viver por tanto tempo no silêncio absoluto, escondida, com medo de ser presa a qualquer momento. Pois foi durante esse período da vida que Anne Frank, entre seus 13 e 14 anos, escreveu seus pensamentos, angustias e medos em um caderno. Hoje, O Diário de Anne Frank já foi traduzido para 68 linguas e vendeu mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo.

Na manhã de 4 de agosto de 1944 a policia alemã invadiu o esconderijo guiados por um informante anônimo que nunca foi descoberto. A familia é deportada. Em 1945 Anne Frank morre de tifo em um campo de concentração, ela tinha apenas 15 anos. O único sobrevivente, seu pai, decidiu tornar publico o comovente relato de sua filha perante o terror nazista. O medo de ser descoberta, as fotos, as paredes, os rascunhos, tudo me impressionou profundamente. Gostaria que a menina de olhar meigo que sonhava em ser escritora tivesse vivido para ver que sua obra se transformou em um dos maiores símbolos contra o nazismo.

Torre que Anne Frank conseguia ver de seu esconderijo, fica bem ao lado do museu. Esta torre acabou se tornando, para mim, um ponto de referência. Sempre que estou perdida olho pra cima pra ver se ela esta por perto...

http://www.annefrank.org/