Lagoa cheia de graça

Sempre vai ter uma criança olhando um cachorro e um cachorro olhando para uma criança. E quando não tem movimento, os garçons jogam canastra nos fundos do bar. Bicicletas de um, dois, três lugares levam a família. E todos caminham no ritmo da música. Desconfio que o menino franzino da camiseta de caveira escuta Wilson Simonal. Seu Luciano continua escolhendo os melhores cocos e segue procurando um ajudante. Os pescadores só aparecem lá pelo final da tarde, sempre com alguma história pra contar. E meu novo amigo, Horácio, quer ser adotado. Ele é igual a Lagoa Rodrigo de Freitas, cheio de graça.

O Horácio
O Horácio

Que a bicicleta nos proteja. Amém!

Tinha meus 6 ou 7 anos quando meu pai, num terreno baldio na frente do presídio de Passo Fundo, me ensinou a andar de bicicleta. Ela era azul, vindo de um primo rico. Depois teve a Brisa tão rosa, tão querida e recentemente reformada pela minha irmã Raquel. Mesmo tendo um histórico de aventuras com bicicletas, que incluia descer ladeiras ingrimes com amigos de infância, posso dizer que uma cidade me deu a chance de amar novamente as bicicletas, depois dos 30 anos. Amsterdam respira à pedaladas fortes. Me lembro que quando cheguei lá tinha um certo receio de andar em duas rodas. Coordenar as outras bikes, as pessoas, os cachorros, as crianças, os carros (eles existem), os turistas bêbados ou chapados… tudo era uma questão de tempo, mas nos primeiros dias me apavorava e por pouco não cai num canal. Depois de um ano, andava falando ao telefone, pegando óculos de sol na bolsa e dando dicas de direção, tudo ao mesmo tempo!!! E é por Amsterdam que, hoje, no Rio, me sinto tão feliz quando pego umas das bicicletas “laranjinhas” e saio por ai, com ou sem rumo. O destino deste domingo foi o Jardim Botânico. Mais de 200 anos de história e guardas muito simpáticos que se locomovem com bikes verdinhas que são uma graça.

Pra saber mais sobre as “laranjinhas” das quais, definitivamente, virei usuária assídua e feliz – clique em Bike Rio.

os dinossauros do Jardim Botânico
Orquídeas vem de Orchis - Filho de um sátiro com um ninfa que foi morto pelas bacantes... que trama!
Orquídea vem de Orchis - Filho de um sátiro com um ninfa que foi morto pelas bacantes... que trama!
caramanchão do Jardim Botânico
Seu guarda - George Proença. Foi quase um pique esconde. Queria tirar foto das bicicletas dos guardas desde que cheguei no parque, mas o Jardim, dependendo do angulo, parece um labirinto. Ai falei com um guarda em terra, Seu Mario, e ele prontamente me ajudou. Interfonou dizendo que precisava ir ao banheiro e pediu para ser substituído por um amigo da bike. Em 5 minutos o George tava lá, isso sim é eficiência pedalística.
laranjinhas - Tenho dezenas a minha disposição!!!
E toda a pedalada acaba no Seu Luciano - o paraibano que mais entende de coco da Lagoa Rodrigo de Freitas. Detalhe: diz ele que não é homem de sorrir muito, mas fez um esforço para as lentes da gaúcha e acrescentou: "não dou muita risada mas sou bem feliz!!!"