Para os que sabem rir (…de si mesmos)

As sombras continuam lá. A luz já não atrapalha e o cachorrão do Maurão ficou pop. Teve samba, choro e blitz. Poderia ter sido sem palavras já que operamos em modo Bluetooth. A reza é brava e o santo é forte. E a Helga apareceu em todas e matou minha saudade. Dançamos até o chão e encaramos as escadas. Lembramos do atestado de solteirice com arroz arbóreo, dos casamentos de Cascais, pelo Skype e o do sem buquê. E, definitivamente, sabemos rir de nós mesmos. A Benedito continua igual, com seu buraco quente. A Vila e seus grafites. Bali é logo ali. Paris é uma festa. E São Paulo também é. Vocês são a família que escolhi pra mim. E tenho muito orgulho disso.

 

A Paris azul de Monet.

Escutar Rosa vendo os azuis de Monet. Correr pelos jardins de Tuileries só pra ter certeza que não faz como a Phoebe. Rir horas ao sol, sentados nas cadeiras verdes, ficar vermelho e depois ser salvo por guarda-chuvas coloridos. Escutar um casal de velhinhos tocando Edith Piaf, lembrar da Cilene e dar de cara com a Maria Cezária (essa é só pra quem fez FAC). Você é professora!.. gritei numa afirmativa no meio da calçada.  Sorvete Berthillon e vinho de 5 euros (sim Cami, eu sei, mas “é o que temos para hoje”rs). Picnic no Sena, aquele que queria ter feito anos atrás. Ir pro Pop In, se perder, se perder mais,  se achar e no fim só dançar as últimas 5 músicas que incluíam Thriller. Andar, correr, rir, perder a conexão, mas não perder a graça. E Châtelet fará parte de nossas vidas. E a Camila vai ter filhos Nerds lindos. E nas horas restantes, num impulso, entrar em um trenzinho com um bando de velhinhos e ver tudo, e ver colorido. E vocês me esperaram na Marche les Enfants Rouges. E vou ter os olhos de vocês pra me ajudar a lembrar. Obrigada Camila e Guilherme e Cecilia e Victor. Paris mudou pra mim. E acreditem, ela agora é incrível. Encontro vocês às 3h. Em algum lugar do mundo.

 

 

 

Viajando no espaço tempo.

Chicago do alto!

Comecei a ver Lost tardiamente. Um grande amigo reunia no seu apartamento, todas as semanas, vários outros amigos para ver os episódios. Adoro essa coisa de juntar pessoas  queridas no mesmo lugar e ficar rindo, conversando, bebericando, independente do motivo. Me lembro que quando cheguei em Porto Alegre, lá por 2004, comecei a participar de um grupo que se reunia todas as quartas-feiras. Era um esquema meio filantrópico. Fazíamos reuniões para organizar visitas a um orfanato e levar as crianças ao zoo ou no parque para um piquinique. Mas na verdade, isso era só mais uma desculpa para fazer amigos e se divertir nas noites de quarta. Alias, fiz grandes amigos na época do “Movimento da Quarta”. E não era diferente nas “Lost Nights” em sampa. Com um único detalhe: fiquei viciada em Lost. Toda aquela coisa de viagem no tempo, futuro e passado se conectando, me deixou fascinada. Pois semana passada me senti dentro de um dos episódios do seriado americano. No dia mais longo da minha vida, viajei 24h em 16h, atravessei fusos horários, perdi conexões, e só faltou o urso polar, porque a neve estava lá. A espera em Amsterdam, a correria em Paris, os taxis amarelos em NY e finalmente Chicago.  Mas o mais engraçado é que, mesmo ficando horas em NY, só fui realmente perceber que estava nos Estados Unidos da América quando entrei  no teco-teco que me levou de NY à cidade do Al Capone.  Alias, uma nota, o avião era tão velho que parecia que eu estava enxergando em sépia. Cansada, sentei em qualquer banco e já ia apagando quando escuto a aeromoça brigando com o controlador de voo. Sério, comecei a rir e uma felicidade me invadiu. Nunca fui muito fã de filmes hollywodianos, mas é impossivel escapar, principalmente na infância, quando se tem uma TV aberta com a programação americanizada. De Caça fantasmas à ghost. Todos os estereótipos americanos estão na minha cabeça. Escondidos, mas estão. Foi com gosto que ouvi aquele acento tão familiar, que me lembrou os filmes de ação policial com o Eddie Murphy. Me senti em casa, como se estivesse no sofá da minha mãe vendo sessão da tarde e comendo sucrilhos sem leite.