A Celeste chegou.

Em 1969 o homem foi a lua, 500 mil pessoas dançaram com Joe Cocker “A Little Help For My Friends” no Woodstock, o primeiro álbum do Led Zeppelin foi lançado e no Brasil o Pasquim foi criado. Em 1969 a Celeste nascia. Ela ainda não me contou sua história. Só sei que saiu de uma linha de produção de uma fábrica em São Paulo e que foi achada num ferro velho em Niterói meses atrás.

Alexandre, o carinho que você teve com ela estes meses todos se estenderam a mim. E esse carinho vai ficar aqui, comigo. A Geraldine, tenho certeza, agora esta vendo a neve feliz por eu ter uma companhia carioca. A Celeste é mais velha e vai me indicar bons caminhos (dizem que a idade traz sabedoria, não é?!). Vou ter o equilíbrio perfeito em cima dela.

Ps: Agradecimento especial ao novo “mecânico” da Celeste que, com bom humor e ferramentas, alinhou a “senhora azul” para as próximas aventuras. Você foi de uma lindeza admirável. O acaso estava num bom dia.

A primeira música que a Celeste cantou pra mim.

http://youtu.be/IKqN2oq6kfo

REcine 2012

A comédia é a estrela do REcine 2012 (Festival Internacional de Cinema de Arquivo). Cinema ao ar livre e de graça…coisas bonitas do Rio.

O primeiro filme a ser exibido hoje será “L’arroseur arrosé” (“O regador regado”), de 1896, dos irmãos Lumière. Na praça, no cair do sol. Vamos?

Com o objetivo de promover o debate sobre preservação, resgate e difusão de arquivos audiovisuais, bem como discutir políticas públicas nesse sentido, foi criado em 2002 o REcine, evento que acontece na sede carioca do Arquivo Nacional, uma das mais importantes instituições públicas de guarda de acervos audiovisuais do país.

RECINE 2012 – 11º Festival Internacional de Cinema de Arquivo
Humor no cinema
De 10 a 14 de dezembro, no Arquivo Nacional
Praça da República, 173 – Centro – Rio de Janeiro
Telefones: (21) 2179-1273 e 2220-9800
E-mails: recine@arquivonacional.gov.br e recine.rio@gmail.com
Entrada franca

Brasil Rural Contemporâneo 2012

Visitem a VIII Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma – Brasil Rural Contemporâneo 2012. Diversidade, tradição e a riqueza da nossa cultura (culturas, no plural) em um único local. Maior evento de agricultura familiar do Brasil, de 21 a 25 de novembro, na Marina da Glória – Rio de Janeiro. Além da feira, debates e diálogos, a programação cultural está ótima. Hoje Elsa Soares + Gabi Amarantos e no sábado tem Orquestra Imperial.

casa

Depois de sete anos morando fora, chego ao Rio de Janeiro no fim de dezembro, em pleno verão. Em casa, as paredes e os móveis se escondem sob uma camada de bolor. Não fossem as rotas verdes traçadas pelos musgos, eu diria que o intervalo que separa a partida do retorno não existiu. O cheiro forte quase me expulsa, mas persisto, e entro. Deixo as malas no corredor e abro a janela, minha grande janela de vidro, esquadrias em madeira, pintadas de branco. Um bafo me envolve o rosto, não há vestígio de brisa. Gotas de suor me atravessam os poros em ritmo acelerado, rompem a barreira da pele, escorrendo por todo o corpo, deixando-me encharcada. Há anos eu não suava assim. Há anos eu não sentia a roupa colando ao corpo, como embaixo de um temporal. Finalmente, e sem demora, entendo por que voltei. Meu corpo entende, o mesmo corpo que sempre protestou contra o ar ríspido da Europa com pernas ressecadas, cabelos em textura de palha, náuseas, tonturas, dificuldade de respiração. Suado, ele se reconhece. Muito antes do que eu imaginava, meu sangue desperta, atiçado pelo mês de dezembro. Então percebo, sentada no sofá umedecido pelo suor, por que voltei: porque aqui, no Rio de janeiro, meu corpo se sente em casa.

Tatiana Salem Levy é escritora e tradutora.

O avião já descia quando comecei a ler o último texto do livro que levei comigo para uma viagem necessária e bonita para o sul do sul do país. Olhei de relance o Rio de Janeiro, de cima, pela janela do avião. 35 graus avisa o piloto. A moça ao meu lado é uruguaia, pensei. Uma criança chorava e os gritos lembravam o som de uma engrenagem de roda gigante de cidade pequena… Teoria para a alegria carioca II: a tristeza sai pelos poros. Alguns textos, algumas palavras, chegam na hora exata que devem chegar. Isso sempre aconteceu. Pelo menos, acontece comigo. Já no táxi, o motorista pergunta, de certo por conta do meu olhar perdido de alegria: há quando tempo a senhora mora aqui?

a vida toda.

Panorama 2012/Vivo Open Air/Jóquei Clube

Final de semana com poemas de Rodrigo Garcia, filme na tela gigante do Vivo Open Air e uma corrida de cavalos. Meu cavalo, “good love”, ganhou!!!!

No panorama 2012, a performance no Parque lage, na grama, foi surreal. World of interiors é uma performance/instalação que confronta o público com uma imagem inquietante: pessoas deitadas no chão, de olhos fechados, supostamente imóveis. O público, que pode entrar no espetáculo e sair dele quando quiser, precisa se aproximar dos performers para partilhar de seu mundo interior e ouvi-los sussurrar textos do dramaturgo Rodrigo Garcia. A criação é de dois atores portugueses, Ana Borralho e João Galante.

Rio + 20 e o Ferreiro e a Morte em Ipanema.

Visitem o Forte de Copacabana. HUMANIDADES 2012. O espaço projetado pela Bia Lessa está incrível e hoje assisti debates sobre Moradia Cidadã e Cidades Sustentáveis. Acabei não ficando até o final…algo me dizia que era para eu fazer exatamente o que eu fiz. Peguei uma bike no Arpoador e pela orla de Ipanema fui voltando pra casa. Tocava It’s a long way do Caetano. Eu ia pensando que a vida é boa, que eu amo onde estou e provavelmente vou amar pra sempre. Eis que no meio dos meus devaneios coloridos alguém grita meu nome. Quando vi todos eles, meus antigos colegas e amigos queridos do tempo de teatro juntos, ali na areia, pensei que tenho mais irmãos do que as vezes lembro. Carlinhos, obrigada pela visão além do alcance e por gritar me fazendo parar no meio da calçada. Eliézer, eu já não lembrava que entrei em cena contigo recém caído do palco, que bom que a gargalhada veio bem rápida, junto com a memória e o abraço apertado.