Passagens secretas

O Rio tem disso. Umas passagens. Elas te levam pra longe. É só imaginar. Ontem foi a vez da Biblioteca Nacional me deixar boquiaberta. O tour guiado é rapidinho e dá pra fazer no horário do almoço, como eu fiz. Várias histórias, vários séculos e muita Art Deco. O mais legal foi ir ao banheiro e encontrar com as vigilantes voltando do almoço. 12 horas de trabalho digno e muito glamour. Todas, na frente do espelho passando batom.

 

Fotos, fotos, fotos.

A exposição Coleção Itaú de Fotografia Brasileira esta linda. Fui conferir a abertura da mostra ontem no Paço Imperial que, alias, é um magnífico casarão que fica no centro do Rio. Com curadoria de Eder Chiodetto, o recorte contemporâneo de obras que o Itaú vem colecionando ao longo de 60 anos vale a pena ser conferido. Clique aqui e veja como chegar!

o meu, o seu, o nosso Fellini.

A exposição sobre Fellini, sua obra, vida e genialidade, foi prorrogada no Instituto Moreira Salles. O que tu tá esperando? Um convite? Alguém que te leve? Uma coincidência? Pois bem, escolha sua história e corra!!! Imperdível. Pena que minhas amigas Burle Carpas não estão na fonte. Desconfio que elas foram parar em Roma.. É bobo, é clichê, mas ainda vou arrumar um moço e um gato picolo i bianco que topem fazer a cena da Fontana no melhor estilo Anita Ekberg.

Curiosidades: A cena de strip-tease e mesmo a da Fontana di Trevi de La Dolce Vita foram inspiradas em acontecimento reais muito bem fotografados por Paparazzos (e lá vem o Federico inventando nomes) na louca Roma do final dos anos 50.

http://youtu.be/5gAvsKcUfBs

Bergman no Rio

Cheguei em cima da hora e entrei. Sala lotada. Fiquei imaginando aquela primeira sequência colorida. Será que tinha tons de lilás? Talvez um pouco de vermelho… A mostra que começou hoje no CCBB vai até 10 de junho e traz cerca de 50 filmes do diretor sueco. Um Barco Para a Índia é o terceiro filme do cineasta, que o adaptou da peça homônima de Martin Söderhjelm. A história entre pai, filho e uma dançarina de cabaré é carregada de tensão. A pobreza física e emocional da moça me tocou. E uma frase, do pai, depois de descobrir que ficará cego está rondando a minha mente.

– A pior coisa não é ficar cego. […] É nunca ter visto nada.


Amarelo

Eu adoro dançar no meio de desconhecidos, sentir o ritmo no meu corpo. O contágio que isso traz é positivo e agradável. Ontem foi como se eu comemorasse  com uma prece cadenciada todos os bons momentos dos últimos meses. Pensei no sol e quase senti o calor. Os amigos que apareceram, uns por uma noite, outros que, provavelmente, permanecerão bem mais que isso. Até o senhor que todo dia cruza meu caminho levando seu velho cachorro para passear quando estou descendo a rua do meu trabalho entrou nessa reza. Sentir que mesmo com dor e com perda e desencontros você, finalmente, depois de muito tempo, fez a coisa certa é de um alívio profundo.

Um final de semana que começa com Pixinguinha só podia ser bom.
Um final de semana que começa com Pixinguinha só podia ser bom.

 

Circo, sax, sol raiando.

Lembro a primeira vez que fui a um circo. Não sei quantos anos eu tinha, mas tenho certeza que ali nascia a vontade de estar em um palco. Quando vou ao circo, seja ele qual for, me sinto estasiada. Ontem foi assim. O Circo Voador sempre faz isso comigo. Mas lá, ao invés do trapézio, são as guitarras que me deixam sem ar. Pedro Luís e Mariana Aydar na mesma noite é um luxo só.

Lagoa cheia de graça

Sempre vai ter uma criança olhando um cachorro e um cachorro olhando para uma criança. E quando não tem movimento, os garçons jogam canastra nos fundos do bar. Bicicletas de um, dois, três lugares levam a família. E todos caminham no ritmo da música. Desconfio que o menino franzino da camiseta de caveira escuta Wilson Simonal. Seu Luciano continua escolhendo os melhores cocos e segue procurando um ajudante. Os pescadores só aparecem lá pelo final da tarde, sempre com alguma história pra contar. E meu novo amigo, Horácio, quer ser adotado. Ele é igual a Lagoa Rodrigo de Freitas, cheio de graça.

O Horácio
O Horácio